15 de nov de 2013

Filme - A Busca


A Busca
Dir.: Luciano Moura
Brasil - 2013

Filme belíssimo, que foi selecionado para o Festival de Sundance nos EUA, dirigido com muita poesia, repleto de metáforas sobre a jornada do desenvolvimento masculino e da  importância da relação pai-filho.
Conta a história de Theo, um homem em plena crise da meia idade, que sai pelo mundo à procura de seu filho adolescente que sumiu.
O que ele não sabe, é que o garoto saiu montado em um cavalo, atravessando o Brasil e enfrentando inúmeros desafios com um propósito muito claro: encontrar seu avô paterno.
À medida que a busca de Theo prossegue, ele vai descobrindo as pistas e juntando as peças do quebra-cabeças. Percebe que só conseguirá rever o filho quando resgatar certos aspectos do seu passado.
No caminho, ele vai encontrando pessoas, ouvindo histórias,  vivendo as mais incríveis experiências e tudo isso vai provocando uma transformação profunda.
No final da longa jornada, pai e filho não são mais os mesmos. O garoto tornou-se homem e o homem humanizou-se. 
Atuações maravilhosas de Wagner Moura e Mariana Lima, e a surpresa do talentoso garoto Brás Antunes (filho do Arnaldo Antunes, que fez a bela trilha sonora do filme). E uma participação especial de Lima Duarte.
O final é emocionante, daqueles que trazem lágrimas aos olhos, uma grande redenção!


Análise Psicológica 
(para terapeutas e interessados no estudo da psique)

Sugiro que vejam o filme primeiro para ter a sua própria impressão, depois leiam estas dicas para reflexão e estudo. 

Novamente  o tema dos rituais de passagem nas diferentes fases da vida:
O adolescente que se transforma em homem ao enfrentar os inúmeros desafios e perigos da viagem.
O pai que passa por uma crise ao entrar na metanóia.
O avô que tentar resgatar o passado e se redimir com o filho através do neto.

A questão de Theo, que ao tentar ser tão diferente do seu próprio  pai (que o abandonou) acaba indo para o polo oposto: controlador, impositivo e agressivo.  Vítima do vício da perfeição, acaba desgastando o casamento e a relação com o filho. Ele não olha realmente para o outro. O tempo todo vê a si mesmo refletido. Foi necessária uma longa jornada de elaboração para conseguir mudar esse modo de ser.

Por mais que queira eliminar o pai da sua vida não consegue, pois o seu filho tem vários atributos e talentos do avô.

Surge também a questão do controle, ele achava que conseguiria criar uma bolha ao redor da esposa e do filho , mas descobre (a duras penas) que o desejo e o sentimento não podem ser controlados. Em oposição, temos o lançar-se ao mundo do filho.

Um detalhe interessante: a mãe fica em casa, essa jornada não é dela (embora ela tenha um papel chave na descoberta dos planos do filho). E as cenas da reforma da área de lazer na casa da família que está se desintegrando. Muito bonita a ligação entre as cenas da construção da piscina e a resolução do quebra-cabeças entre pai e filho, marcando também a passagem do tempo.

Belíssima a sequência final, na qual Theo cruza na estrada com o próprio filho (que não o vê), observa as cicatrizes em sua perna, as marcas da sua viagem, mas não o interrompe, permite que conclua e chegue ao seu destino (o sítio do avô). Esta atitude mostra um profundo respeito pelo desejo do outro (filho), agora ele consegue realmente enxergá-lo.

Ele então se adianta para chegar antes, acertar as contas com o passado e poder receber o filho. 

Respondendo à pergunta do título do filme: Até onde um pai pode ir para encontrar seu filho? 
Até o fim do mundo, até os confins de si mesmo, até as profundezas do ser onde tudo se renova.

A cena que fecha o filme, da mãe desfrutando a piscina num dia ensolarado (ela não queria a piscina de jeito nenhum), é uma metáfora das grandes transformações pelas quais todos passaram. E agora a leveza chegou.

Recomendo à todas as participantes dos grupos, em especial às do Grupo de Estudos!

4 comentários:

  1. Oi Cris, lendo sua análise psicológica, vejo ali um pouco da minha historia. Me vejo no papel do filho, mas também no do pai (mãe). Será um filme daqueles... vai cutucar velhas feridas. Obrigada pela dica valiosa!

    Beijo querida e um final de semana maravilhoso.
    Denise - dojeitode.blogspot.com

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  2. Cris que delícia!!! Obrigada pela dica!!
    Vou assitir com certeza!
    Adoro filmes que trazem emoção e reflexão!!
    Saudades amada!!
    Apareça...estou sempre te esperando!
    Muitos beijos e bom feriadão!
    Cris
    http://criscriacoisas.blogspot.com.br

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  3. Cris,

    Estou doida para ver esse filme, ainda mais depois desses comentários. O Wagner Moura é um dos atores que eu mais admiro por aqui.
    Um beijo querida.

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  4. Assisti ao filme, estrelado pelo meu conterrâneo Wagner Moura
    E gostei de sua atuação, de td o filme e tb da temática
    MARAVILHOSA sua análise
    Tanto no avistar e cruzar dele com o menino, quanto no encontro dele com Lima Duarte, seu pai
    Senti que ele buscou o filho, mas foi ele que se encontro

    Meu carinho, desejos de buscas, encontros, encantos e cantos de passarinhos \o/

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