4 de abr de 2016

Conhecer o Outro. É possível?


O que vemos quando olhamos para nossos namorados, maridos, filhos ou amigos? 

Começamos a enxergá-los de um jeito e,  em pouco tempo, não desconfiamos que essa outra pessoa seja muito mais do que nos parece,  de que  ela encarne diferentes risadas, olhares, gestos.     

A cegueira se evidencia quando o (a) flagramos em outro mundo, seja encontrando um amigo de infância ou fazendo algo inusitado. É como se fosse outra pessoa!

Nunca abraçamos alguém por inteiro - e nem deveríamos tentar.

Seu companheiro (marido, namorado) nunca foi nem nunca será apenas seu companheiro: ele é um homem que vive com você. Conectar-se com essa pessoa livre, não apenas com suas identidades, é o melhor jeito de aprofundar a relação.

Conhecer o outro muitas vezes significa congelar o outro. Para conhecer alguém é preciso desconhecê-lo, relacionar-se com o espaço onde surgem suas faces e histórias. Liberar o outro de quem ele é (ou de quem pensamos que ele seja).

Impedimos as pequenas mortes e renascimentos quando silenciosamente, sem saber, exigimos que o outro encarne de novo e de novo o personagem com o qual estamos acostumadas.

Desejamos suspresas ao mesmo tempo que as dificultamos. Ao controlar, tentamos garantir que a relação dure, que não sejamos abandonadas, que o outro não seja assim tão livre: "Mude, mas somente dentro das mudanças que eu espero."

Conhecer o outro é alimentar sua imprevisibilidade, descobrir não tanto o que a pessoa é ou foi, mas quem não é, quem ainda pode ser.

Gustavo Gitti


8 comentários:

  1. Oi Cris,
    Muito verdadeiro! ... e eu nunca tinha parado para pensar nisto, no susto que levamos qdo vemos o nosso companheiro se relacionando com outras pessoas, seja do seu trabalho ou com seus amigos de infância, e descobrimos que ele é diferente do que é com a gente.
    Bjs

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  2. Concordo, ás vezes pensamos que conhecemos alguém muito bem, e por vezes temos surpresas,
    que podem ser agradáveis ou não, bjs amiga, boa semana

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  3. Eu percebo isso, Doutora querida... Eu sempre observei isso acontecendo, percebendo meu marido conversando com amigos, meus filhinhos, desde pequenos... é normal, a gente se porta de um jeito em casa, entre familiares e muitas vezes tem um comportamento mais fechado ou mais aberto com amigos, em outros círculos... Sem querer parecer muito religiosa, Jesus falava algo que era mais ou menos assim: que a gente não devia atirar pérolas aos porcos. Levado ao pé da letra é algo até feio, como se a gente comparasse uma pessoa a um porco, mas eu vejo assim: todos nós temos diversos tesouros no nosso coração e os compartilhamos com outras pessoas. Alguns com nossos pais, outros só com os amigos, outros com nossos amores. Sem significar que se ame mais uns do que outros, só que a cada relacionamento se partilha o tesouro que lhe cabe...

    Obrigada pelo carinho lá no blog, Doutora querida. Beijos.

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  4. Cris,
    Adorei este post! Que coisa linda pensar em uma relação assim! Mas não é fácil conseguir ver nosso parceiro com esse olhar libertário, é uma luta constante.
    Beijos

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  5. Profundo texto!
    gde abraço, fica com Deus!
    bjs... passei para buscar a receita do bolo... estão pedindo bis!
    Rosangela!

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  6. Olá Cristiane,

    Que bom tema para refletir, pois queremos ser livres e aceitos como somos, mas com os outros sempre tentamos que seja como queremos.
    Beijo

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  7. Pois é, Cris, conhecer o outro....mas primeiro temos que nos conhecer, saber nossos próprios limites e possibilidades.
    Nos relacionamentos com as outras pessoas, não é nosso direito interferir na vida de alguém mesmo que este seja o marido, o filho, a esposa, filha, mãe, amigo(a). Do mesmo modo vale o vice-verso. Creio que isto é o que enriquecesse nossa aprendizagem em nos relacionarmos com os outros nas mais diversas situações. Podemos colaborar mas sem interferir, podemos ajudar mas sem se impor pois o que queremos para nós, é o que nos deve nortear a fazer com o outro. Ter a empatia. E assim a vida segue e vamos nos ajustando, aprendendo com erros e acertos. Essa é a evolução.

    O tema faz-nos pensar muito, abre um manancial de troca de informações sobre tal tema, faz com que mergulhemos em nós mesmas para ouvir a nossa voz íntima, a voz da nossa consciência.

    Interessantíssima e profunda essa temática.

    Grande beijo p/vc.

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  8. Cristiane , gostei bastante da crônica . Realmente , penso que muitas vezes queremos olhar o outro da forma que gostaríamos de vê-lo . Isto pode nos machucar . Falo por experiência própria . Como digo a você sempre : aprendo vindo nesta sua casa . Obrigada . Beijos

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