2 de set de 2012

Essa Menina Vai Longe...

Isadora Faber - 13 anos


     Talvez ela não saiba, mas sua coragem a transformou num exemplo para todos nós. Especialmente para adultos que não acreditam na força de uma ação honesta e cidadã.
     A menina de 13 anos, sorriso doce e olhos grandes, denunciou, com fotos e vídeos, todos os malfeitos de sua escola pública no Facebook. A página criada por ela, chamada Diário de Classe, é um símbolo do uso nobre das redes sociais.
     As denúncias de Isadora são um sinal de  novos tempos: mais transparentes e menos condescendentes.
     Cidadania vem do latim civitas. É um conjunto de direitos e deveres na sociedade. É importante ter isso em mente: não são só direitos, há deveres também.
  Quando Isadora mostrou a porta do banheiro sem fechadura, ventilador quebrado, o bebedouro enguiçado, o quadro de luz mexido na surdina pelos alunos, as salas sem professor, ela incomodou a todos: direção da escola, professores e os colegas bagunceiros.
     Diretores e professores queriam que ela tirasse a página do ar. Foi intimidada por professores em sala de aula  e perante os colegas. Chamaram seus pais (que a apoiaram). Ela não se curvou à intimidação.
    "Não estou fazendo nada de errado" - ela disse. "Já havia me queixado inúmeras vezes com professores e a direção da escola sem nenhuma resposta." Diante de tanto descaso e da sensação de impotência, a saída foi tornar pública a situação.
     Em dois dias, sua página no Facebook saltou de 2388 seguidores para 161.077! Diante da repercussão, a escola começou a consertar tudo o que estava quebrado e trocou o professor faltoso. Se havia recursos, porque não resolveram antes?
    Isso levou inclusive a uma reunião da cúpula da Secretaria de Educação de Florianópolis, para solucionar problemas como esse que certamente acontecem em outras escolas.
     A sociedade já entendeu que tem direito a ter não só acesso à escola, mas uma educação de qualidade. E quem mostrou isso foi esta garota. 
     Isadora, você é demais!

adaptado a partir do artigo publicado na Revista Época ed. 746

     

Nenhum comentário:

Postar um comentário