Histórias que Curam

Aqui você vai encontrar todas as histórias de pessoas extraordinárias e os lindos contos que inspiram nossos encontros.

As Longas Colheres

Este  belo conto faz parte das Histórias da Tradição Sufi.

Num reino muito distante, havia um rei famoso por suas fantasias meio excêntricas. Um dia ele mandou anunciar que daria a maior e mais bela festa de seu reino. Toda a corte e todos os amigos do rei foram convidados.

No dia da festa, o palácio era só esplendor.  Todos admiravam fascinados as apresentações dos dançarinos e os divertimentos mais refinados.

Entretanto, não havia comida em parte alguma e com o passar do tempo, a fome foi crescendo. Mas ninguém ousava reclamar diante do rei.

As apresentações continuaram por horas e horas. Finalmente, quando a situação tornou-se insuportável, o rei levou seus hóspedes para uma sala especial, onde uma refeição os aguardava.

Todos correram em direção a um delicioso aroma de sopa que estava num enorme caldeirão no centro da mesa.  Eles queriam servir-se, mas não havia nenhum prato, nem tigela, somente enormes colheres de metal, de mais de um metro de comprimento.

Os cabos não permitiam que o braço levasse a sopa à boca, porque não se podia segurar as escaldantes colheres a não ser por uma pequena haste de madeira na extremidade.

Desesperados, todos tentavam  sem resultado. Até que um dos convidados encontrou a solução: segurando a colher pela haste em sua extremidade, levou-a à boca de seu vizinho, que pôde comer à vontade.

Todos o imitaram e se saciaram, compreendendo enfim que a única forma de alimentar-se naquele palácio, era servindo um ao outro.

O Jovem Gandhi e o Professor Arrogante

Quando jovem, Gandhi foi cursar Direito na Universidade de Londres. Foi um período difícil, pois um professor chamado Peters não o aceitava pelo fato dele ser indiano.

Na época a Índia era colônia britânica. Muitos ingleses viam os indianos como seres inferiores. Mas Gandhi não se intimidava com o preconceito.

Um dia o professor estava almoçando no refeitório e sentaram-se juntos. O professor disse:

- Sr. Gandhi, você sabia que um porco e um pássaro não comem juntos? 

E o jovem Gandhi imediatamente respondeu: 

- Ok, professor. Já estou voando para outra mesa. 

O professor, muito aborrecido, resolveu vingar-se nas provas orais, mas Gandhi respondeu brilhantemente a todas as perguntas. Então o professor perguntou:

- Sr. Gandhi, imagine que está andando por uma rua e encontra uma bolsa. Dentro dela estão a Sabedoria e um pacote com muito dinheiro. Com qual deles ficaria?

- Claro que com o dinheiro, professor.

- Sr. Gandhi, pois eu em seu lugar ficaria com a Sabedoria.

- Tem razão professor, cada um ficaria com o que não tem!

O professor, furioso, escreveu "idiota" na prova e lhe entregou.

Gandhi recebeu a prova, leu, voltou à mesa do professor e disse: 

- Professor, o senhor assinou a prova, mas não deu a nota!

_______

Que jovem espirituoso, não é? 

Muitas pessoas confundem ser boa ou pacífica com suportar humilhações e "engolir sapos".
Mas o que Gandhi nos ensinou com sua história?

Semeie  a Paz, mas seja firme com quem te despreza ou diante de alguém que quer lhe fazer mal. Ser gentil não significa tolerar desrespeito nem maldade.

Podemos nos fazer respeitar de forma elegante, porém firme.

Pare para refletir: Como você reage diante de situações como essa?



O Jarro das Lágrimas Etruscas
   
Conta a história que todos os homens, mulheres e crianças etruscas tinham  um pequeno jarro em terracota. Ainda existem exemplares no Museu Faina, na cidade de Orvieto, na Úmbria e no Museu do  Louvre.

Quando um deles chorava, segurava este jarro embaixo do olho recolhendo as lágrimas.

Acreditavam que elas saíam da alma, que eram um derretimento da alma. Assim, perder lágrimas era a mesma coisa que perder a própria alma.

Então, esmagavam pétalas de violetas ou de rosas e perfumavam as lágrimas, fazendo uma espécie de essência e usavam a poção para ungir as pessoas amadas.

Dessa forma, transformavam a essência de suas almas em amor. 
Marlena de Blasi
In: A Doce via na Úmbria


Nada de Nada...

Este lindo conto é de Kurt Kauter, traduzido aqui em versão livre.

Sabes me dizer quanto pesa um floco de neve? perguntou um pardal a um pombo silvestre.

Nada de nada... – foi a resposta.


Nesse caso vou lhe contar uma história maravilhosa – disse o pardal.

Eu estava sentado no ramo de um pinheiro quando começou a nevar.

Não era nevasca pesada ou furiosa. Nevava como em um sonho: sem ruído nem violência. Já que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas do meu ramo. Contei exatamente 3.741.952.

Quando o floco número 3.741.953 pousou sobre o ramo – nada de nada como você diz – o ramo se quebrou.

Dito isso, o pardal partiu em vôo.

A pomba, uma autoridade no assunto desde Noé, pensou um pouco na história e finalmente refletiu:

Talvez esteja faltando uma única voz para fazer a diferença e trazer paz ao mundo.
       
        Talvez a minha ou a sua... 


As Árvores de Van Gogh
Esta história relata o encontro entre o pintor Vincent Van Gogh e um comerciante de arte indignado com o estilo de pintura do artista holandês.

O motivo da revolta era porque Van Gogh sempre pintava as árvores tão  grandes que elas iam além das estrelas, quebrando todas as regras clássicas de composição  da época.

E o tal homem, incomodado com a imensidão dos arvoredos perguntou: "Mas por que você pinta árvores tão descomunais?"  "Que maluquice é essa?"

Ao que Van Gogh respondeu:  

"Eu sei,  meu amigo, elas são imensas. Mas é que existe uma coisa da qual você não se dá conta. As árvores são os anseios da Terra de transcender as estrelas. Eu pinto os anseios e não as árvores. Na verdade, não importa se elas alcançam as estrelas ou não.  O importante é o  desejo de fazê-lo."

Lindo, não é?


Refazendo as Feições das Bonecas 
Para Ficarem Parecidas Com As Crianças

Sonia Singh é uma jovem mãe que mora na Tasmânia e cresceu brincando com bonecas e brinquedos feitos em casa.

Quando suas filhas começaram a brincar de bonecas, ela ficou incomodada com a hipersexualização que algumas bonecas apresentam. Elas não se parecem em nada com meninas, super maquiadas e com roupas coladas no corpo.

Então teve uma idéia: comprou bonecas usadas em lojas de segunda mão e começou a remover a maquiagem das bonecas e pintar rostos mais "normais". Além disso, fez roupas parecidas com as roupas que as meninas usam. Veja a diferença: 




Inicialmente, fazia as bonecas somente como hobby para dar de presente para suas filhas e outras meninas da família, mas as bonecas fizeram tanto sucesso com as crianças, que o hobby se transformou em um negócio. 

Hoje recebe encomendas de todos os lugares do mundo e inclusive customiza as bonequinhas para se parecerem com mulheres inspiradoras como a primatologista Jane Dogal, a jovem Malala (Premio Nobel da Paz) e a primeira mulher astronauta, entre muitas outras.


Tudo tem seu tempo. A hipersexualização precoce e a identificação com modelos de beleza impossíveis leva à baixa auto estima e distúrbios alimentares, entre outros problemas.

As meninas podem e devem ter bonecas mais parecidas com elas e também sonhar com um caminho de realização por seu potencial humano e não apenas através da beleza e da sexualidade.

Fiquei encantada com a criatividade da Sonia, ela nos mostra que com amor sempre podemos fazer diferença!

E as bonequinhas não ficaram lindas? Acho que vou até customizar uma para mim...


Vamos Ubuntar?

A  jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Florianópolis , nos presenteou com uma linda história acontecida em uma tribo na África chamada Ubuntu. 

Ela  contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando  terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, então propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele  chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas   as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comer felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu. Como uma de nós  poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda  não havia compreendido de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?


Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!" 

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

Vamos Ubuntar!


Reconhecer o Lugar de Cada Um Para Mudar o Mundo

Você acha que mudanças são muito difíceis? Que só vai poder mudar as coisas quando tiver condições para isso? Ou quando tiver bastante gente ao seu lado? 

Leymah Gbowee, juntamente com mais 6 amigas e tendo apenas a quantia de 10 dólares iniciou um movimento envolvendo as mulheres de todas as etnias e religiões no país  que culminou com o término da guerra na Libéria. Por isso foi uma das agraciadas com o Prêmio Nobel da Paz em 2011.

Este vídeo com um trecho de sua fala sobre o aprendizado que teve com isso é maravilhoso. Em apenas 3 minutos ela consegue dar uma enorme lição de vida. 

Assista e se inspire...





Quer Uma Maçã?

Li esta linda história no blog da querida Vania Lucia e me encantei. Já faz um bom tempo, mas ela não sai da minha cabeça, então resolvi escrevê-la da forma como me lembro e compartilhar com vocês. Traz uma mensagem simples e muito profunda:

Uma garota segurava em suas mãos duas maçãs. Sua mãe entrou e lhe pediu com um belo sorriso: 



"Você poderia dar uma de suas maçãs para mamãe?"

A menina levantou os olhos para sua mãe e subitamente mordeu uma das maçãs e logo em seguida a outra.

A mãe perdeu o sorriso. Ela tentou não mostrar sua decepção quando sua filha lhe deu uma de suas maçãs mordidas.

A pequena olhou sua mãe com os olhinhos brilhando e disse: 

"Essa é a mais doce."


Não importa se você é experiente, competente ou sábia. Retarde sempre o seu julgamento.

Dê aos outros a oportunidade de se explicar. 

Nem tudo é o que parece. Saiba esperar, respire profundamente.

Quantas vezes nos precipitamos, julgamos e condenamos sem dar tempo ou oportunidade para que as coisas se esclareçam?


O Monge e os Feijões

Esta linda história foi enviada por minha irmã, que mesmo vivendo um momento muito difícil (ficou viúva há três meses) sempre tenta passar algo de bom para nós.

Diz a lenda que um monge idoso precisava encontrar um sucessor entre seus discípulos.
Dois deles pareciam ser os mais aptos. Para decidir, o mestre lançou um desafio para colocar à prova a sabedoria dos dois.

Ambos receberam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreenderem a subida de uma grande montanha.

No dia e hora marcado, começa a prova. Logo nos primeiros quilômetros um dos discípulos começou a mancar; no meio da subida tirou os sapatos e as bolhas em seus pés já sangravam causando-lhe imensa dor.



Por causa disso ficou para trás, observando o outro discípulo subir a montanha e sumir de vista.

Ao término, todos voltaram ao pé da montanha para ouvir do mestre o óbvio anúncio. Apenas um deles havia completado a prova e seria seu sucessor.

Após os festejos, o monje derrotado aproximou-se do vencedor e perguntou:
- Como é que você conseguiu subir e descer aquela montanha com os feijões nos sapatos?
- Antes de colocá-los nos sapatos eu os cozinhei. - Foi a sua resposta.


Há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. Problemas são inevitáveis, a diferença é como vamos lidar com eles.



Então...Aprenda a cozinhar seus feijões!


O Menino que Cava Poços

Ryan Hreljac é um garoto canadense que nasceu em 1991. Um dia, na escola, com apenas 6 anos, a professora contou como viviam as crianças na África e que algumas literalmente morriam de sede por não haver poços nas proximidades.

Ele ficou profundamente comovido e perguntou à professora quanto custava para levar água para eles. Ela se lembrou de uma fundação chamada WaterCan, dedicada ao tema, e lhe disse que um pequeno poço poderia custar 70 dólares.

Ele imediatamente começou a encontrar um meio de conseguir os 70 dólares, realizando tarefas domésticas para sua mãe, cortando grama...e quando juntou a quantia foi com sua mãe até a WaterCan para comprar um poço mara os meninos da África, mas foi informado que o poço custava na verdade 2000 dólares.

Isso era muito dinheiro, sua família não tinha posses, mas ele não desistiu. Mobilizou os seus irmãos, seus vizinhos e os colegas da escola e todos foram contagiados pelo seu entusiasmo, todos se puseram a trabalhar e conseguiram arrecadar o valor.


Finalmente, em 1999 (quase três anos depois!), ele chegou triunfante à sede da WaterCan para pedir o seu poço, que foi perfurado numa vila no norte de Uganda. À partir daí começa a linda trajetória deste menino. Ele não parou mais de trabalhar para arrecadar fundos e agora, com quase 24 anos, já conseguiu levar 400 poços à África!


Hoje ele tem sua própria fundação: a Ryan's Well, que também ensina a população a cuidar dos poços e investe em educação para as crianças africanas. Ele está estudando para ser engenheiro hidráulico.

Um menino de apenas 6 anos conseguiu mobilizar sua comunidade e transformou a realidade de milhares de pessoas. Com todas as dificuldades segue até hoje dedicando-se a esse ideal.

Quando é que nos acomodamos e passamos a acreditar que não podemos mudar o mundo? 


A Diferença Entre o Dia e a Noite

Para inspirar a todas a começar bem a semana:

"O Mestre perguntou aos alunos: 
- Qual é a diferença entre o dia e a noite?
O primeiro aluno respondeu:
- É quando podemos diferenciar uma macieira de uma pereira. Sabemos que a noite terminou e o dia começou.
O mestre fez que não com a cabeça.
Um segundo aluno disse:
- É quando podemos distinguir uma estradinha ao longe e ver um cavaleiro se aproximando. Então o dia começou.
O mestre fez que não.
Um terceiro:
- É quando podemos diferenciar um fio de cabelo branco de um fio de cabelo negro.
O mestre novamente disse que não.
Então os alunos perguntaram ao mestre: 
- Diga-nos por favor, qual é a diferença entre o dia e a noite?
- O dia começa quando nós seres humanos saímos para o mundo e nos reconhecemos como irmãos. Neste exato momento, seja a hora que for, podemos então dizer que a noite terminou e o dia começou.”



Nunca me canso desta historia, ela me faz lembrar de um trecho de Walden:

“A luz que ofusca nossos  olhos é escuridão para nós. Só amanhece o dia para o qual estamos acordados. Mas o dia está por raiar. O Sol não passa de uma estrela matutina.”
Henry D. Thoreau


Lindo demais, não é?
Para perceber e sentir...



O Velho e o Beija-Flor - Pura Alegria Para a Sua Criança Interior

Demorei para acreditar no que vi, é impressionante. Não sei quem é mais especial: o velho ou o beija-flor.  Enquanto amizades como essa existirem, o mundo tem esperança.

Um dos melhores vídeos que assisti nos últimos tempos! Não perca, menos de dois minutos e você vai ficar com um sorriso no rosto o dia todo...




Repare na alegria do homem quando o beija-flor chega, é como se o velho se transformasse em um menino, sinal de que soube cuidar da sua criança ao longo da vida.

Para que a criança interior seja saudável é necessário o cuidado amoroso conosco e com tudo ao nosso redor. Cultivar a alegria é fundamental, e como você viu no vídeo, ela está nas coisas simples.

Aprenda com eles


O Que Aprendi Com a Mulher Mais Feia do Mundo

Lizzie  Velazquez, tem 25 anos e nasceu com uma síndrome muito rara: não importa o que coma, jamais consegue ter uma só grama de gordura em seu corpo. Ela pesa cerca de 30 quilos. 

Além disso, a doença causou a perda da visão do olho direito e afeta seu sistema imunológico, ela adoece com freqüência. O fato dela poder andar, falar e pensar é considerado um milagre pela medicina.

Foi vítima de bullying durante toda sua vida escolar e  na adolescência colocaram um vídeo com sua imagem na internet que a tornou conhecida pelo infeliz título de “A Mulher mais Feia do Mundo” e recebeu centenas de comentários maldosos. 

Ela poderia ter se tornado amarga, poderia ter ficado deprimida ou até mesmo tentado se matar…mas ao invés disso ela olhou para dentro e se perguntou: “O que me define como pessoa?”. 

Ela percebeu que não era a aparência e nem o que os outros pensavam dela, mas seus sentimentos, seus sonhos e ideais, o amor da família e de amigos que conquistou e principalmente o desejo de contribuir de forma positiva para a sociedade.

Ela usou as adversidades como motivação e graduou-se em Comunicação na universidade, tornou-se uma palestrante motivacional, já escreveu e publicou três livros.

Sua palestra   no TEDx Woman no início do ano se tornou viral. Entre muitas coisas incríveis ela diz: “eu usei a negatividade dos outros para acender a minha fogueira e me manter no caminho. Façam o mesmo.”

Clique no link abaixo e assista, já está legendada em português. É sensacional!




A Incrível História do Homem que Moveu uma Montanha

Compartilho com vocês a história deste homem que me impressionou profundamente.
Dashrath Manjhi, conhecido como "Homem Montanha” na região de Bihar,  na Índia, moveu sozinho uma montanha para ajudar sua comunidade.
Ele vivia num vilarejo que tinha apenas uma estrada muito íngreme, de 43 km, que contornava as montanhas para dar acesso ao hospital, mercado e escolas. Os moradores pediam que as autoridades melhorassem o acesso, mas só recebiam o descaso.
Um dia sua esposa adoeceu e não houve tempo para chegar ao hospital pela estrada tortuosa, ela faleceu.

Era o ano de 1960, e o viúvo jurou que nunca mais um membro de sua comunidade sofreria a perda de um ente querido por não conseguir chegar rapidamente ao hospital.
Munido de formão, martelo e pá ele esculpiu sozinho,  e retirou pedras incansavelmente durante 22 anos!


Quando terminou, a estrada reduziu drasticamente a distância entre o vilarejo, a escola e o hospital.
Ele morreu em 2007, aos 80 anos, e teve a satisfação de ver  que pessoas de mais de 60 aldeias usam todos os dias a estrada que ele construiu.

Ao invés de reclamar, ele agiu. Mesmo sem receber ajuda de ninguém, ele não desistiu. Analfabeto e humilde, transformou sua dor numa marca indelével de amor no mundo.
Quantas vezes diante de uma dificuldade ficamos reclamando, lamentando, achando que não podemos fazer nada? 
Não importa quão difícil seja a situação, sempre há uma saída criativa, mas só a encontra quem é movido pelo amor.


Perguntaram a Buda
Pinterest
“ Perguntaram a Buda: 
- O que você ganhou com a meditação?
Ele respondeu:
- Nada.
- Mas deixe-me contar o que perdi: raiva, ansiedade, depressão, insegurança, medo da velhice e da morte!” 


Que maravilha perder tudo isso, hein….

A maioria das pessoas passa pela vida buscando sempre  ganhos, mas chega uma hora em que menos é mais. 

Meditar não tem segredo!

Apenas preste atenção na sua respiração e deixe seus pensamentos passarem como nuvens. Se perceber que um pensamento está chamando sua atenção, simplesmente volte a atenção para a respiração. 

Bastam alguns minutos de silêncio todos os dias. Comece com 5 minutinhos e vá aumentando até 30 minutos por dia. 

Não há milagres, os pensamentos não vão desaparecer, mas à medida que praticamos vamos sentindo o estado de presença, e isso faz toda a diferença. 

Não deixe para depois!


Apenas Uma Pedrinha?


Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? - pergunta Kublai Khan

- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra - responde Marco - mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta: 
- Então, por que falar de pedras? Só o arco me interessa.

Marco Polo responde:
- Sem as pedras, o arco não existe.

Ítalo Calvino


In: As Cidades Invisíveis

A Sabedoria de John Lennon



"Quando eu era criança, minha mãe sempre dizia que a felicidade era a chave da vida.
Quando fui para a escola, me pediram para escrever sobre o que eu queria ser quando crescesse. Escrevi: “Feliz”.
O professor disse que eu não tinha entendido a lição e eu respondi que ele não tinha entendido a vida.”
John Lennon


Bom Final de Semana!


Retire o Poder do Medo e o Entregue ao Amor

“Nego a submeter-me ao medo
Que tira a minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada
Que me torna pequeno e mesquinho
Que me amarra
Que não me deixa ser direto e franco
Que me persegue, que ocupa negativamente
a minha imaginação
Que sempre pinta visões sombrias.

No entanto, não quero levantar barricadas
por medo do medo.
E quando me calo,
quero fazê-lo por amor.
E não por temer as conseqüências de minhas palavras.
Por medo de errar,
não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável
Por medo de não me sentir seguro de novo.

Por convicção e amor quero fazer o que faço
E deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim.



Rudolf Steiner
(1861-1925)
arquiteto, filósofo e ativista social
fundador da Antroposofia


Sonabai Rajawar
Que Mulher Extraordinária!

A vida da artista indiana Sonabai Rajawar foi tema de um de nossos encontros no passado. Esta mulher foi realmente um exemplo de força, resiliência e criatividade incríveis!

Uma mulher humilde e sem instrução que casou-se cedo, como é costume por lá, e ao dar a luz ao primeiro filho foi trancada pelo marido em sua casa sem poder ver ninguém. A casa era cercada de muros altos, então ela foi literalmente isolada do mundo. Isso durou 10 anos!


Ela cuidava do filho pequeno e tentava de alguma forma fazer brinquedos para ele, mas não tinha nada, exceto o barro do chão do pátio interno. Começou a fazer bonequinhos e animais de barro para o filho brincar. E descobriu que esculpir era uma forma de se manter viva naquela situação, de não enlouquecer.

Utilizando o barro e os temperos de sua cozinha  para fazer tinta ela criou uma obra de arte incrível, transformou sua pequena casa em uma galeria viva, forrando paredes e tudo o que pudesse com seus trabalhos.

Com a morte do marido, seu confinamento acabou e quando as pessoas entraram em sua casa foi uma surpresa! Sua arte foi reconhecida internacionalmente, indo para museus de todo o mundo. 

Ela e seu filho passaram a ensinar esta técnica. Ela já faleceu, mas seu filho dirige uma fundação com seu nome.   E hoje, toda a economia da vila onde ela viveu (que era extremamente pobre)  gira em torno de sua arte e prospera.

Não é uma mulher extraordinária? 
E a gente reclama...

Wangari Maathai - Plantando as Árvores do Quênia

Plantando as Árvores do Quênia
Claire A. Nivola
Ed. SM

No encontro deste mês lembramos do trabalho que realizamos em 2011 sobre as ganhadoras do Premio Nobel  da Paz ao longo da história. 

E falamos de Wangari Maathai, que foi agraciada em 2004, a primeira mulher da África a receber esse Prêmio.

Foi concedido pela conexão que ela fez entre a saúde do meio ambiente e o bem estar do seu povo. Foi através da mobilização das mulheres  que houve uma transformação social e política de todo um país. 

Devido à política de devastação das florestas promovida pelo governo da época, o país mergulhou numa seca terrível, com a maior parte de suas terras transformando-se em desertos. Com isso, a escassez de água e comida flagelava a população.

Ela então começou a mobilizar as mulheres, mostrando que onde houvesse verde, haveria água. E começou a criar mutirões de plantio e proteção de áreas verdes em todas as vilas e aldeias.  Elas chegavam a cavar poços com as próprias mãos e instrumentos rudimentares para conseguir água para regar as mudas. 

Em 1977 criou o "Movimento Cinturão Verde", com programas educacionais que transformaram os quenianos em cidadãos ativos e bem informados, que começaram a cobrar do governo o cumprimento de suas responsabilidades, principalmente a proteção das áreas verdes.

Isso logicamente gerou uma reação dura do governo (na época, uma ditadura) que os perseguia, mas ela manteve-se firme e com o apoio da população finalmente triunfaram.

Hoje o Quênia está coberto de florestas, muitas são reservas, e a prosperidade voltou.

Este belíssimo livro, totalmente ilustrado com aquarelas maravilhosas, conta a sua vida. Embora tenha sido escrito para o público infantil, a mensagem é tão linda que agrada muito aos adultos.

"Lembrem-se sempre do que milhões de mãos podem fazer."
Wangari Maathai


Todos Podem Ser Grandes

Todas as pessoas podem ser grandes, 
porque todas podem servir.
Não é preciso ter 
um diploma universitário para servir.
Não é preciso fazer concordar 
o sujeito e o verbo para servir.
Basta um coração cheio de graça.
Uma alma gerada pelo amor.
Martin Luther King

Esta frase me fez refletir muito...a maioria das pessoas sofre porque está sempre pensando no que pode obter dos outros em termos afetivos e materiais. 

Ouço freqüentemente queixas que giram em torno  "do que o outro deveria ter feito por mim e não fez..."

As pessoas ficam contabilizando o que fizeram e o que receberam do parceiro, dos amigos, dos pais... consideram-se injustiçadas se a balança não pender sempre para o seu lado.

Conforme conversamos nos grupos, o objetivo do processo de auto-conhecimento é podermos  nos tornar pais e mães de nós mesmas. E isso só acontecerá se nos dispusermos a amadurecer, a sair da posição infantil, na qual achamos que o mundo nos deve...

Somente quando mudarmos nossa atitude e passarmos a pensar de que forma podemos nos doar, no que podemos fazer pelo outro/outros é que começaremos a crescer.

E o mais interessante, é que quando mudamos a perspectiva, inesperadamente recebemos mais do que havíamos imaginado!

Tudo bem, você vai dizer que mudar não é fácil...mas tudo o que vale a pena merece um pouco de esforço. 
Afinal, a única coisa que cai do céu é água...


A Dieta da Alegria

" Faça a Dieta da Alegria: 
Um sorriso a cada manhã,
um agradecimento no final do dia."

   Viver não é bolinho e, vamos combinar, complicamos demais a nossa existência. Não basta ser, precisamos "superser".
     Estamos plugadas, antenadas, fazendo um monte de coisas e, por incrível que pareça, poucas fazem nossos olhos brilhar.
     Nossa trajetória na vida é como se estivéssemos num rio onde, até metade da nossa existência podemos somente nos deixar flutuar e sermos levadas. À certa altura, precisamos nadar contra a correnteza. 
      Nadar contra a correnteza é reeducar o olhar. Tentar ver as coisas para as quais olhamos há muito tempo sem ver.  Inclusive a pessoa amada, e aqueles que são muito próximos.
      Por que  quando viajamos achamos graça em descobrir uma praça qualquer e não somos capazes de fabricar olhos estrangeiros para cantos desconhecidos de nossa própria cidade?
    É mais fácil colocar o motivo do entusiasmo longe e continuar reclamando. 
    Nós abandonamos a alegria à sua própria sorte, queremos que brote sozinha, sem uma ajudazinha sequer. 
     Nossa indústria de tédio e cansaço trabalha a todo vapor e não achamos legítimo fabricar alegria?
   Maturidade traz sabedoria, mas também traz tédio e preconceito. Temos que tomar cuidado e abrir as janelas para ventilar. Há que se reinventar.
     Alegria é coisa preciosa e precisa ser cultivada.
     Podemos dar mais chances para a alegria....
     O que faz seus olhos brilhar?


A Lenda do Girassol
Encontrei esta história linda no blog da Sueli, fiquei encantada, pois o logotipo do nosso grupo é uma fusão do sol com o girassol.


Dizem que existia no céu uma estrelinha tão apaixonada pelo sol que era a primeira a aparecer de tardinha, no céu, antes que o sol se escondesse. E toda vez que o sol se punha ela chorava lágrimas de chuva.


A lua falava com a estrelinha que assim não podia ser, que estrela nasceu para brilhar de noite, para acompanhar a lua pelo céu, e que não tinha sentido este amor tão desmedido!

Mas a estrelinha amava cada raio do sol como se fosse a única luz da sua vida, esquecia até a sua própria luzinha.


Um dia ela foi falar com o rei dos ventos para pedir a sua ajuda, pois queria ficar olhando o sol, sentindo o seu calor, eternamente, por todos os séculos.


O rei do vento, cheio de brisas, disse à estrelinha que o seu sonho era impossível, a não ser que ela abandonasse o céu e fosse morar na Terra, deixando de ser estrela.


A estrelinha não pensou duas vezes: virou estrela cadente e caiu na terra, em forma de uma semente.


O rei dos ventos plantou esta sementinha com todo o carinho, numa terra bem macia. E regou com as mais lindas chuvas da sua vida.


A sementinha virou planta. Cresceu sempre procurando ficar perto do sol. As suas pétalas foram se abrindo, girando devagarzinho, seguindo o giro do sol no céu. E, assim, ficaram pintadas de dourado, da cor do sol.


É por isso que os girassóis até hoje explodem o seu amor em lindas pétalas amarelas, inventando verdadeiras estrelas de flores aqui na Terra.


Diz a lenda que quando o ultimo girassol sumir o sol se apagará de tristeza, pois não era a planta que girava para ele. Ela apenas dançava, e ele admirado, a seguia.

Joakim Antônio



Uma Análise Bem Sucedida

"Em uma análise bem sucedida, tendem a diminuir os conflitos, distúrbios e turbulências que interferem no uso da mente. É possível que isso ponha o indivíduo em estado de maior limpidez  de percepção, compreensão da realidade e encontro consigo próprio. 
Surgem não só o alívio dos sintomas, mas um sentido de vida e um estado desperto, em que as emoções não pensadas e em estado bruto tem menores possibilidades de o deixar em confusão.

Quiçá se livre do medo de viver.

Atingido este ponto, talvez encontre sem esforço, em momentos felizes, um espaço interno de silêncio para a visão das coisas, que não pertence ao tempo, e ele então tenha a experiência do que é plantado no coração do homem para a eternidade."

Walter Trinca
In: A Arte Interior do Psicanalista

Peneire o Deserto


O deserto é um lugar onde a vida se apresenta muito condensada.  Quase tudo acontece no subsolo. Ele é muito intenso e misterioso nas suas formas de vida. 

Muitas vezes a mulher tem a sensação de estar vivendo num local vazio, onde talvez haja apenas um cacto com uma flor vermelha e, em todas as direções 500 quilômetros de nada.

No entanto, para aquela que se dispuser a andar 501 quilômetros existe mais alguma coisa. Uma casa pequena e admirável. Uma velha. Ela está à sua espera.

Não seja tola. Siga em frente percorrendo aquele último  e árduo quilômetro. Aproxime-se e bata na porta castigada pelas intempéries. Atravesse a janela do sonho. 

Peneire o deserto e veja o que encontrará.

Clarissa Pínkola Estés
In: Mulheres que Correm com os Lobos


Veja que interessante o trabalho do Dr. Gary Greenberg: ele peneirou e examinou ao microscópio areias de vários lugares do mundo. Onde parecia haver somente restos de rocha moída, uma surpresa!


Estas são fotos da microscopia da areia. Há cristais, conchas e restos de pequenos seres. Veja que riqueza de vida: quantas cores e formas ...



Viu?  Não é uma beleza?
Então, peneire o seu deserto. 
Você vai se surpreender...


Quando a Beleza do Mundo se Acendeu Para Mim

Segunda-feira chuvosa, acordar cedo, aquela preguiça...
Atrasada para o trabalho, saio apressada e viro a esquina.
Eis que me pega de surpresa uma roseira carregada de flores enormes! 

Como? 
Passo todos os dias por alí, e ela não floresceu  do dia para a noite...

As rosas me encantaram com sua beleza e perfume, mas imediatamente pensei no gesto amoroso do morador que plantou uma roseira na calçada para embelezar a vida de todos.


Mais adiante me deparo  com uma muda de flamboianzinho todo florido e rodeado  por uma cerca branca de madeira feita com muito capricho, para que o deixassem crescer em paz.


Esperando para atravessar a rua, uma mãe carrega o violão do filho a caminho da aula de música, e o garoto aguarda abraçado ao  seu cãozinho.



E  ao chegar na frente do consultório, o céu se abriu... um bando de maritacas sai não sei de onde e atravessa naquela algazarra em minha frente!



Quando menos esperava, a beleza do mundo se acendeu para mim naquela manhã cinzenta.

Mas a beleza sempre esteve aí, nosso olhar é que precisa se abrir para ela.


Qual é o Caminho da Sabedoria?


Precisa dizer mais? 

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa
Uma Mulher Extraordinária
   
     Quem já leu o  maravilhoso Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, deve ter visto  a dedicatória: "Para Ara". Quem foi a mulher que inspirou esta obra-prima ?
       Aracy foi a segunda mulher de Guimarães Rosa e sua parceira num dos momentos cruciais da vida do casal: o salvamento de judeus no coração da Alemanha nazista.
     Em 1938 Aracy conheceu Guimarães Rosa no consulado brasileiro em Hamburgo. Por falar várias línguas ela tinha um cargo na seção de passaportes e bom trânsito no corpo consular.
     Nessa mesma época, entra em vigor a Circular Secreta 1127, que proibia a entrada de judeus no Brasil. Ela ficou indignada e ignorou a ordem e passou a fornecer vistos a quem lhe pedisse. Para conseguir a assinatura do cônsul, ela embaralhava os vistos no meio da papelada que ele assinava.
    Guimarães Rosa, então cônsul-adjunto, soube o que ela estava fazendo. E a apoiou (e se apaixonou) plenamente. Ambos passaram a ser investigados pelo serviço secreto alemão e pela embaixada brasileira, pois o governo Vargas ainda mantinha relações diplomáticas com a Alemanha. Ele foi denunciado como simpatizante dos judeus e fichado na polícia alemã.
     Aracy corria maior risco pois ela não tinha imunidade diplomática.  Mesmo assim, seus estratagemas cresciam em ousadia. Ela abrigava judeus em sua casa e os escondia no banco de trás do carro consular para cruzar a fronteira. Se  fosse pêga, seria morta.

     Um caso ficou especialmente famoso. Maria Margarethe Bertel Levy e o marido foram levados por Aracy a um navio, no qual embarcaram com o passaporte diplomático da brasileira. Ela levou as jóias do casal na própria bolsa, escondeu-as na caixa de descarga do sanitário do camarote e os aconselhou a só retirá-las em alto mar. Assim fizeram. Chegando ao Brasil, venderam as jóias e iniciaram uma nova vida.
     Anos depois Aracy e Margarethe se reencontraram e se tornaram amigas inseparáveis.
    Em 1942, o governo brasileiro rompeu com a Alemanha e ao tentar sair do país, Aracy e João foram presos em Baden-Baden por quatro meses, até serem trocados por diplomatas  alemães no Brasil.
    Aracy é a única mulher citada no Museu do Holocausto de Jerusalém como um dos 18 diplomatas que ajudaram a salvar vidas. Seu nome batiza uma avenida e um bosque em Jerusalém.
     No Brasil, abrigou artistas perseguidos pelo regime militar (de 1964 a 1985).  Ficou viúva em 1967 e nunca mais se casou.
     Morreu em São Paulo, em 3 de março de 2011, dez dias depois de perder a amiga Margarethe. Ambas tinham 102 anos.


Uma Mulher Extraordinária!


A Floresta de Um Só Homem

Veja esta mata verdejante. 
Sabia que até 1979 era um lugar desértico? 

Jaday Payeng (este homem que está na foto abaixo) sozinho, transformou uma área de 550 hectares (!) de banco de areia em densa floresta e tornou-se herói em Assam, estado do nordeste da Índia.


Quando ele tinha 16 anos, uma grande inundação acabou com as árvores e habitats de muitos animais na localidade. Ele tomou a decisão quando encontrou um grande número de répteis mortos e chorou.

Solicitou ajuda ao Departamento florestal local, mas disseram que nada cresceria naquele terreno arenoso. Devido à sua insistência, sugeriram que ele plantasse bambu.

Jaday fez isso e passou a morar sozinho no banco de areia. 
Muitos anos depois já havia uma variedade de flora e fauna, incluindo animais em extinção.


Hoje, aos 47 anos, ele continua a dedicar todo o seu tempo à floresta.

Ao ouvir esta história pensei em muitas pessoas que passam a vida a se lamentar, mas não tomam atitudes para mudar a situação que as faz sofrer.

Outras começam, mas desistem no primeiro obstáculo.

A verdadeira vontade aponta o caminho.

A Lembrança da Verdade

Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito.


Quando alguém faz algo prejudicial ou errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia e todos os membros da tribo vêm e o rodeiam. 


Durante dois dias, eles vão dizer a essa pessoa todas as coisas boas que ela já fez!



A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade.

Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.

Eles se unem então para erguê-la, para reconectá-la com sua verdadeira natureza, para lembrá-la quem ela realmente é, até que ela se lembre totalmente da verdade da qual tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou boa".

Sawabona Shikoba!

Sawabonaé um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: "Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim."

Em resposta as pessoas dizem: Shikoba, que significa: "Então, eu existo para você."


Muito Obrigada Sandra pela mensagem tão linda e inspiradora!

A Sabedoria do Carvalho

"O carvalho mesmo assegurava que só semelhante crescer pode fundar o que dura e frutifica; que crescer significa: abrir-se à amplidão dos céus, mas também deitar raízes na obscuridade da terra; que tudo o que é verdadeiro e autêntico só chega à maturidade se o ser humano for simultaneamente ambas as coisas: disponível ao apelo do mais alto céu e abrigado pela proteção da terra que oculta e produz.


Martin Heidegger
1889-1976 
(filósofo alemão)



O carvalho é uma árvore majestosa e imponente. Pode chegar até 40 metros de altura e vive de 500 a 1000 anos! É uma das árvores mais resistentes ao frio e às intempéries. Para poder crescer tanto e ser tão forte, suas raízes mergulham na terra e se espalham profundamente.

Lembrei-me de nossa discussão no grupo de estudos de sexta-feira, quando conversamos sobre o mergulho no corpo e a integração com o Ser, que só pode acontecer quando aceitamos, ouvimos e respeitamos a sabedoria do nosso próprio corpo. Para poder subir, é preciso estar muito bem enraizada!

Acho que o exemplo do carvalho ilustra bem esta questão, vocês não acham?


Quem Disse que os Bebês Não Falam?


Esta história incrível mostra a sabedoria da grande mulher que foi Françoise Dolto, por quem tenho uma profunda admiração.


     O que vou lhes contar ocorreu na Maison Verte, instituição parisiense de acolhimento de crianças de zero a três anos, criada pela psicanalista Françoise Dolto.
    Quando na juventude de minha formação psicanalítica, tive a oportunidade de passar algumas tardes naquele local, acompanhando o trabalho de Dolto, já então, ícone da psicanálise dita infantil.
   Em uma tarde, um casal relativamente jovem chegou para a consulta com cara de desespero. Traziam um bebê nos braços, o qual aparentava uma fraqueza importante. Deveria ter uns três ou quatro meses de vida.
     Dolto, cheia de atenção vigilante e afetuosa, ficou sabendo dos pais que ao desespero da criança que não comia, razão por estar esquálida, somava-se a preocupação com o desemprego do pai, a sobrecarga da mãe, e as contas que não fechavam no mês.
    Assisti, em seguida, Françoise Dolto se dirigir diretamente ao bebê, sem qualquer atenção ao fator compreensão, e lhe explicar, olhos nos olhos, que ela, Dolto, entendia muito bem que ele não quisesse comer, uma vez que sua chegada poderia ser pensada como em má hora, e que o melhor talvez fosse desaparecer. Contestou, no entanto, afirmando que ele estava enganado, pois sendo tão querido e esperado, sua morte precoce retiraria dos seus pais o único efetivo alento naquele momento difícil de vida. E assim se despediu dos três – filho, mãe e pai –dando-lhes um retorno para a semana seguinte.
    Quando saíram, Dolto me disse: -“Você vai ver só o que vai acontecer”.
    No segundo encontro, confirmando a previsão da analista, eram outras pessoas que estavam ali. O bebê estava comendo, e bem.
    Ao final do atendimento, a doutora me falou: -“Você viu como os bebês falam? Você viu a prova?”. Aí, para mim, foi demais. Com a delicadeza devida, contestei que não era que bebês falassem, mas que – como Lacan havia demonstrado no estádio do espelho... – ao ela falar com o bebê, estava realmente falando a seus pais que, por conseguinte, tinham mudado sua posição e possibilitado a alteração sintomática.
    Dolto não me deixou avançar muito em minha peroração. –“Sim, sim – me retorquiu – eu também conheço o ‘seu Lacan’ e bastante bem. Além de companheiros de toda uma vida, somos mesmo muito amigos. Agora, que ele o diga com o espelho, é interessante, quanto a mim, digo e mostro – como você viu –que os bebês compreendem e sabem falar”.

Jorge Forbes
Psicanalista

Este artigo foi enviado pelo amigo Marcus Quintaes, psicanalista junguiano e coordenador do Grupo Himma - o qual frequentei por muitos anos. 
Obrigada Marcus!

As Maravilhosas Bolas de Luz de Denis Smith

    Veja que fotos maravilhosas! 
    São chamadas de "Light Painting" ou pintura com luz.
    Estas fotos salvaram a vida do neo-zelandês Denis Smith.


  Ele tinha um trabalho muito estressante que o levou à depressão e ao alccolismo. Quando se deu conta do sofrimento que estava causando a si mesmo e à sua família, mudou de trabalho e de país. Foram recomeçar a vida na Austrália. E nas horas vagas começou a fotografar. 


   O resultado foi uma exposição que fez muito sucesso, um livro e um vídeo. 
    Agora é fotógrafo em tempo integral.
   Ele programa a câmera e a coloca num tripé. Em seguida se posiciona no local onde quer a bola de luz e começa a girar um fio com uma lâmpada de led na ponta. Ele move o corpo ao mesmo tempo, de modo que sua silhueta não aparece dentro da bola.


   Ele disse que ter tempo para se dedicar à fotografia lhe deu a oportunidade de ficar sozinho e poder desbravar as paisagens por horas e isso lhe trouxe de volta a serenidade.


   Ele diz que não sabe porque começou a fazê-las, mas que elas salvaram sua vida. Agora planeja sair pelo mundo fotografando as bolas de luz por todo o planeta.
  Além de nos oferecer toda essa beleza, ele nos dá uma grande lição: a de que sempre existe uma saída criativa para o sofrimento. 

   
           Há luz no fim do túnel, literalmente!

           Se quiser visitá-lo, o link está na lista ao lado.

Liberdade

"Não adianta sair procurando.
Liberdade não é uma questão de geografia,
ela só existe dentro da gente."
Ciça Guimarães

"Amo tanto a liberdade 
que tento deixar tudo o que amo livre.
Se retornarem para mim
é porque os conquistei.
Se não retornarem,
é porque nunca os possuí."
John Lennon


     Enquanto esperava no laboratório para fazer o 'check up' anual, assisti a um programa muito bom chamado "Viver com Fé" no canal GNT. Apresentado por Ciça Guimarães. 
   
  Ela entrevista pessoas anônimas e famosas que enfrentaram problemas graves na vida e superaram com muita coragem, determinação e fé.  Os depoimentos são incrívelmente belos e emocionantes.

    Para nós terapeutas, é um excelente estudo de casos sobre resiliência e sobre a riqueza da alma humana.
  
   Acesse abaixo o link do programa para ver alguns episódios e saber os horários em que é apresentado na TV. 
    
     O programa de hoje falava sobre liberdade. Foi lindo demais.  Fiquei surpresa por encontrar algo tão inspirador. 
Eu Prefiro Ser Essa Metamorfose Ambulante
“Uma crisálida (latim: chrysaliis, do grego: χρυσαλλίς = chrysallís, plural: crisálidas), é o estágio de pupa de insetos da ordem lepdóptera. O termo é derivado da coloração metálico-dourada encontrada nas pupas de muitas borboletas (grego: χρυσός (chrysós) significa ouro).”
“O estágio de crisálida em muitas borboletas e o único onde elas pouco se movem ou não o fazem. Entretanto, muitas pupas de borboletas são capazes de mover seus seguimentos abdominais para produzir sons que possam afugentar potenciais predadores. Dentro das crisálidas ocorre o processo de crescimento e diferenciação sexual. As borboletas adultas emergem destas e expandem suas asas para bombear sangue pelas veias. Esta rápida e brusca mudança é chamada metamorfose.” (Wikipédia)
Dias atrás, vi no sítio um momento muito bonito. Uma borboleta saindo do casulo. Não posso negar que não foi fácil acompanhar. É um momento demorado (pra quem está assistindo), delicado. Durante a maior parte do tempo é até difícil de perceber os progressos. Mas eles estão acontecendo. Para quem está de fora, as evoluções são quase imperceptíveis, pois acontecem dentro, mas para a borboleta que as vivencia, acredito que não. Com transformações tão delicadas, parece que quando a borboleta consegue sair do casulo, aquilo aconteceu de repente. Mas para a frágil lagarta, que se esforçou tanto para afugentar predadores ou simplesmente para se manter segura àquela folha, aquilo não aconteceu “de repente”.
Uma lagarta (?!?), se transformar em uma linda borboleta? Como pode? É a natureza, como diria o poeta. E mesmo podendo a natureza promover “milagres” como este, não foi de repente. Ela precisou passar pelo estágio da “crisálida”, seu momento de crise. No qual, a qualquer ameaça de vento forte ela estaria sujeita a ver seu futuro colorido desaparecer no ar.
Ufa! Não foi fácil, mas finalmente ela consegue se livrar do casulo e pouco a pouco suas asas úmidas vão secando, secando, até ela conseguir alçar seu primeiro vôo. Até o galho ao lado. Aprendeu a voar. Agora, já pode ganhar os ares e alegrar os olhos que estiverem abertos para a alegria.
Lindo Momento.
“Será que a borboleta lembra que já foi lagarta?”
“Será que a lagarta sabe que um dia vai voar?” (Palavra Cantada)
Este texto é de autoria da Tatiana do blog Terra da Tati

Que Tipo de Fogo Você É?
    Um homem da tribo de Neguá, no alto da Colômbia, conseguiu subir ao céu e na volta ele contou:
      Que havia contemplado de lá de cima a vida humana e viu que somos um mar de foguinhos.
      O mundo é isso, revelou, um monte de gente, um mar de foguinhos.
     Não existem dois fogos iguais, cada pessoa brilha com luz própria entre todas as demais.
    Há fogos grandes e fogos pequenos, e fogos de todas as cores.
     Há gente de fogo sereno, que nem percebe o vento.
     Há gente de fogo louco, que enche o ar de faíscas.
     Alguns fogos são bobos, não iluminam nem queimam.
    Mas outros, ardem sua vida com tanta intensidade que não se pode olhá-los sem pestanejar.
    E quem se aproxima deles, se acende.

Eduardo Galeano
no vídeo Sangue Latino
(você pode assistir página Filmes)


Tenha a Coragem de Ser Feliz!

       "Aos 44 anos de praia, filhas criadas, certeza cada vez mais firme sobre o que eu quero e o que eu não quero fazer na vida, eis que descubro, AGORA, que tenho medo de ser feliz. COMO ASSIM? Tenho.     
  Justo eu, que persegui a felicidade, analisando as alternativas, possibilidades, fazendo escolhas cuidadosas, refazendo planos...
     Mas justamente quando sinto o gosto daquela felicidade que procuro tanto, vem junto um sabor estranho. Um ruído que diz: será? Será que é pra valer? Será que vai durar? Os outros estão felizes também? Quem te faz feliz sabe que faz? Será que você o faz feliz também?
     Cacilda, que barulho chato! Não sei se é seqüela da depressão, se é por ser mais calejada e realista  ou por ter ficado meio boboca mesmo. Porque é tudo verdade: o momento bom vai passar e pode-se sofrer muito ao perder algo que já nos fez muito bem.
     E desde quando o certo é não ser feliz agora? Não saboreio um chocolate sabendo que ele vai acabar e amanhã vou querer outro? Água quente é uma delícia e eu, embaixo do chuveiro não penso "putz, como é bom!"? Dá preguiça de sair, mas a sensação boa prevalece e permanece. 
    Medo, bem o sabem as pessoas corajosas, não é algo que a gente não experimenta. É algo que a gente não deixa nos dominar.
     Então dona Sonia, vê se mergulha na felicidade como na água boa da piscina no fim da tarde, curte a sensação de não ter peso; nada ou flutua, mergulha de pé ou de cabeça conforme  a vontade e deixa para passar frio - ou não - do lado de fora.
     Tenha respeito; não tenha medo da água."

Trechos da coluna de Soninha Francine 
para ler na íntegra:  Revista vida simples - Junho 2012


Alma e Glicose - O Dia em que a Fome Devoradora Foi Devorada

Era uma fome dum tanto assim. Fome de quê, não sabia - ou esquecia?
Desde o passado, era a Fome – crescendo mimosa, comendo faminta, num crescente que só se ia crescendo. Comendo num gerúndio sem fim, a Fome nunca se via particípio. Também não se considerava abstrata - para além de concreta, era A Fome, de vontade própria e tudo.
De tão fora da lei, de tão de regras próprias, a gramática nunca lhe cabia bem, e nunca lhe era servido um lugar para se aconchegar. Foi assim - tanto se escondendo que se encontrou assim mesmo, escondida. E, lá aprisionada, a vontade de ser vista e resgatada foi engordando imperiosa.
Um dia, lá de dentro, dum grande vazio, O Vazio-que-era-habitado, pediu comida assim:
- Fome afetiva!
- Fome monetária!
- Fome de doce!
E assim foi se substanciando.
- Fome de paz!
- Fome de amor,
de pai, de mãe!
Nossa, mas que vazio tão cheio de tanto!
- Fome assim!
- Fome, fome..
. ?
- Fome de alma!
- Fome de mim!
- Fome de Eu!
A fome que já havia se substanciado de tantas outras coisas, tão revestida de peles e enormes retalhos de tantos outros nomes: tanto tempo alimentada, sem ser nutrida! Tão solitária e selvagem, tão amiga, tão minha, tão-eu.
Vez ou outra, quando Ela bate na porta, logo me certifico de que sejam servidos uma gostosa xícara de chá e um bom lugar para que Ela se sente ao meu lado, e pergunto: “Hoje, você está com fome de quê?”.
Por hoje, fim (de glicose)!
Grinis Miyashiro
psicóloga
 participa do  Mulheres em Círculo  e do Grupo de Estudos

O Milagre de Muktar Mai
    O estupro coletivo foi o veredicto dado a Mukhtar Mai pelo jirga, um tribunal  tribal, à margem do governo oficial . Qual crime ela cometeu? Nenhum. 

     Ao se apresentar perante o tribunal em defesa de seu irmão, que recebeu acusações  de falar com uma mulher de casta superior, quatro homens do clã mastoi (casta superior) estupraram Mukhtar dentro de um estábulo, enquanto outros mantinham a cabeça de seu pai e amigos sob a mira de uma espigarda.

     Com quase trinta anos, ela vivia com seus pais depois de se divorciar de seu marido. Ser uma camponesa, analfabeta e divorciada não a impediu de ensinar o Alcorão às crianças. Recebeu oralmente os textos passados pelo pai e decorou cada ensinamento. No dia do estupro, carregava o livro apertando-o contra o peito. Na cultura do Paquistão, uma mulher desonrada deve se matar. 

     Depois de estuprada ela foi jogada para fora quase nua. O pai a cobriu e a levou para casa. Quando chegou em casa se jogou em uma cama e não queria falar com ninguém e nem se alimentar. Assim permaneceu por três dias. A honra exigia que ela se matasse. Mukhtar pediu a mãe que trouxesse o pesticida. Os pais dela imploraram para que não fizesse isso. Ela rogou a Deus que a ajudasse. 

     No dia seguinte, o Mulá local fez uma sermão na mesquita de Mirvala condenando o estupro. "É preciso notificar a polícia!" -  disse ele diante dos escandalizados homens da aldeia. Com o apoio do mulá Maulul Abdul Razzaq, quatro dias depois do acontecido, Mukhtar foi à polícia. Ela pensou: os mastoi podem me matar, mas não serei eu mesma a fazer isso. Ela escolheu a justiça ao invés da morte.



     Graças a sua coragem de denunciar aqueles homens , sua história virou notícia no mundo. Nenhuma mulher paquistanesa, antes, havia se levantando contra os seus agressores. Ela se tornou um símbolo do direito das mulheres. Diante de tamanha publicidade, o governo passou a apoiá-la. Sua família recebeu proteção policial e uma promessa de rapidez no processo. 

     Muitos, inclusive mulheres agredidas, foram até Mirvala para conhecer Mukhtar Mai. Os depoimentos de outras mulheres a incentivaram a continuar a luta. 

     Entre as muitas visitas, Mukhtar recebeu a ministra federal para as mulheres: Attiva Inayatulah. "Recebi do governo a ordem de lhe dar esse cheque de meio milhão de rúpias"  (US$ 8.200). Disse que não se tratava de um compensação, mas um símbolo do reconhecimento do sofrimento pelo qual Mukhtar havia passado. A ministra ficou chocada ao ouvir a declarção de Mukhtar: "Não preciso de dinheiro!" Depois de muita insistência ela recebeu o cheque dizendo: "O que preciso é de uma escola. Vou usar esse dinheiro para construir uma."

     Mukhtar se apresentou diante do juiz e dos catorze homens mastoi algemados e contou como foi estuprada. O veredicto saiu em 31 de agosto de 2002. Seis dos mastoi foram condenados à morte por sua participação no ataque. Oito foram libertados. Mukhtar poderia ter se mudado de Mirvala com sua família. No entanto, ela tinha um sonho. Uma escola. Ela queria construir um futuro diferente do seu para aquelas meninas. 



     Ela descobriu durante sua dura caminhada, desde o dia em que resolveu denunciar seus estupradores, que a educação podia fazer a diferença. Ela percebeu que aquelas pessoas que a ajudaram, tinham educação e isso dava poder à elas. Não seria fácil. Como convencer aos pais a matricular suas filhas na escola em um pais em que as mulheres não frequentam escolas? Ela foi de porta em porta. Depois de um tempo algumas poucas famílias autorizaram a matrícula. Mukhtar se sentava ao lado das crianças para também aprender. 

     O dinheiro começou a faltar. Ela vendeu alguns poucos bens que possuia para manter a escola. Quando sua história foi noticiada, muitas doações chegaram. Em um ano ela abriu uma escola para meninos em Mirvala e uma outra para meninas em uma aldéia próxima. Mais de setecentas crianças de todas as castas estudavam juntas na nova escola, inclusive crianças do clã Mastoi. 

     As escolas eram apenas parte do milagre. À medida que a história de Mukhtar se espalhava, mulheres começaram a aparecer em sua porta. Elas tinham cicatrizes horríves, foram espancadas, mutiladas e queimadas com ácido. Era o castigo pelo suposto adultério. Comovida com aqueles depoimentos, Mukhtar criou o Centro Mukhtar Mai de Assistência à Mulher.

     Os Mastoi apelaram. Em 5 de março de 2003 cinco dos seis mastoi condenados haviam sido absolvidos e foram postos em liberdade. O sexto teve sua pena comutada para prisão perpétua. Ela não desistiu e apelou o novo veredicto. Apoiada pelos ativistas dos direitos humanos, ela conseguiu fazer com que eles fossem presos novamente . Estão aguardando novo julgamento. 

     Com as escolas e o Centro de Assistência, essa camponesa, contra todas as probabilidades, salva mulheres dando à elas uma nova oportunidade. 

     Reflita sobre as palavras desta magnífica mulher: 

  "Sou só a primeira gota d'água, mas a chuva virá.  E muitas gotas de chuva acabam formando um grande rio."

     Conheça mais sobre o seu extraordinário trabalho, visitando o site oficial: www.mukhtarmai.org.





Bondade Também se Aprende!
Mais uma vez a sabedoria de nossa musa Cora Coralina, poeta e doceira de Goiás, que viveu 95 anos.


     Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. Nunca diga: estou envelhecendo ou estou ficando velha. 
     Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
     Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e  isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.   
     Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
     Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.
     Nada de palavra negativa.
     Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos.
     Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.
    Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de  mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

     O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
     Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
     Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.

     Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. 



O Vaso Quebrado

Esta história é dedicada a todas as vítimas do vício da perfeição.


     Uma senhora chinesa já idosa, carregava dois vasos grandes, cada um pendurado na ponta de uma madeira que se apoiava em seus ombros.    

     Um dos vasos tinha uma rachadura e o outro era perfeito.

     No fim do percurso o vaso defeituoso chegava sempre com metade do seu conteúdo. E assim,  por dois longos anos, a senhora levava para casa um vaso e meio de água.

   O vaso perfeito era orgulhoso, pois cumpria sempre sua função. O vaso defeituoso, ao contrário, envergonhava-se de sua imperfeição, pois perdia sempre metade do seu conteúdo.
     Depois de dois anos, percebendo o vazamento durante o trajeto, falou com a senhora idosa: "Sinto muito, que por causa do meu defeito perca metade do meu conteúdo."
     A senhora sorriu e disse: Já reparou nas flores que estão do teu lado  da estrada, enquanto que do outro não há nada?  Isto porque eu sempre soube que havia uma rachadura, então plantei sementes do seu lado e a cada dia que fazia este trajeto  você regava as sementes.
    
     Por dois anos  tenho colhido estas maravilhosas flores para enfeitar nossa mesa.


     Sem você e sua maneira de ser não seria possível esta beleza para alegrar nossa casa. 

    Cada um de nós tem seu defeito particular e único...
   




O Círculo dos 99

              Dizem que um rei triste contratou um bobo da corte muito feliz para alegrá-lo.  Porém, mais do que rir, ele queira saber o que tornava o bobo tão feliz. 
             Ele consultou os sábios da corte, que concluíram: o bobo era assim porque estava fora do círculo dos 99. Para comprovar sua teoria sugeriram que o rei deixasse na porta do bobo um saco com 99 moedas de ouro e o observasse escondido. 
            Além disso o monarca deveria deixar o seguinte bilhete: "Estas 100 moedas de ouro são suas. O tesouro é um prêmio por você ser um homem bom e feliz. Desfrute-o e não conte onde o encontrou." 
            O rei aceitou o desafio. O bobo achou o presente e, sem acreditar no que via, começou a contar as moedas: 97, 98, 99....faltava uma!  Inconformado contou de novo. "Que droga! Como assim ?!?" , perguntava a si mesmo.
            O rei via que , ao invés de ficar contente por receber as moedas, ele estava com uma expressão angustiada e tensa. O bobo começou a fazer planos de como conseguiria a última moeda, tarefa que iria consumir alguns anos de sua vida e que o manteria insatisfeito e infeliz até realizá-la. 
            Abismado, o rei presenciava como o menestrel acabava de entrar para o círculo dos 99, e assim iniciava sua vida de homem infeliz. 

           Toda vez que olhamos para o que nos falta ao invés de olhar para nossa completude, entramos para o círculo dos 99.


A Felicidade Não Está Onde Se Procura 


Este é um dos contos da tradição Sufi que utilizamos em nosso encontro de Agosto. Faz parte das Histórias de Nasrudin.

     Nasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho e perguntou-lhe os motivos de tanta aflição.

     "Não há nada na vida que interesse, irmão", disse o homem. "Tenho dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa. Até agora, nada encontrei."

     Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boa distância. A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando caminho por vários atalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que havia roubado. Colocou  a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se à espera do outro.

     Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz do que nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão, correu para pegá-la dando gritos de alegria.

     "Essa é uma maneira de se produzir felicidade", disse Nasrudin.

Vovó Pérola e Suas Contas

Este é o lindo conto escrito pela querida Grinis Miyashiro,  que  nos inspirou no encontro de Maio.


      Era a Vovó Pérola. E, desde o sempre de antes – porque um dia ela se tornou a moça das pérolas mágicas – ela fora a Vovó Pérola. Era, pois, do momento em que seus dedos começaram a lhe permitir a habilidade fina de alinhar continhas em fios – de todos os tipos bonitos e coloridos – passou a colecionar inúmeras contas e pedrinhas, assim como todo bom colecionador que coleciona tudo, com medo de que a memória possa tropeçar no fio da idade.


      Acontece que aconteceu dum modo inesperado, que um dia as continhas se revoltaram, como todos em algum momento se revoltam na vida, ou com a própria vida, mesmo. Vovó Pérola sempre dizia que não se podia, nunca, dizer que a vida não era boa. Ela dizia que a vida, que também tinha vida, podia, um dia, querer se revoltar. Nesse dia, as danadas das contas não queriam saber de caírem quietas no fio. Vovó pensava que elas dariam um bom colar dum jeito, mas não é que elas se desprenderam da linha? Caíram todas. Vovó, que também era dura na linha, teimou e recolocou-as do modo tão desejado. Quando terminou, após tanto sacrifício, considerou mais adequado nunca usar o colar, pois os fios estavam já muito desgastados, assim como suas mãos.
      No meio daquela mesma noite, num ato repentino e meio amalucado para uma senhorinha já de idade, Vovó puxou com toda a força de seus 70 anos a última pedrinha que segurava o nó do colar e todas se foram contentes pelo chão.

      Não se sabe, com certeza, o que acontecera àquela Vovó, apenas que um sonho com pérolas mágicas lhe teria introduzido idéias bem lúcidas. Hoje, vovó conta que coleciona idade, e, com ela, experiências – e que só assim se consegue a eternidade. "Mas, experiências, meu filho, não se pode botar numa linha" – até hoje ela diz e até hoje muitas contas pelo mundo tentam se rebelar para também, um dia, tornarem-se contos.

Onde os Deuses Vêm Repousar

Esta é uma das mais belas Mensagens de Final de Ano que li nos últimos tempos! Foi escrita por nossa querida amiga Eliana, no Blog da Mulher Esqueleto.

Minha homenagem a esta beleza efêmera, que abriga a eternidade, são as fotos que tirei desta Íris  branca, que desabrocha com o nascer do sol e no final da tarde desaparece.

Convido os Deuses a Repousar.









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