16 de out de 2017

Filme - Colcha de Retalhos


Colcha de Retalhos
(How to Make an American Quilt)
Dir: Jocelyn Moorhouse
USA - 1995


Este foi o filme indicado para complementar o trabalho do Capítulo 13 do Livro Mulheres que Correm com os Lobos: O Clã das Cicatrizes. Por isso trago novamente esta postagem.

Vamos viver a história de Finn (Winona Ryder), uma jovem que precisa terminar sua tese de mestrado, mas está com um certo bloqueio para escrever. Ela também recebeu uma proposta de casamento e está noiva, mas está em dúvida se deve se casar ou não.

Ela se pergunta: Como viver essa coisa chamada casal e ter espaço para si mesma?

No meio desse turbilhão ela decide ir para o interior, passar o verão na casa da avó e da tia, onde acredita que terá paz para escrever e pensar…

Só que lá ela conhece Leon, um jovem muito sedutor, que a deixa ainda mais dividida!

Encontra o grupo de amigas de sua avó, que se reúne regularmente para fazer quilt (a mão!). Cada trabalho deve ter um tema, contar uma história.

Elas ficam sabendo que Finn está noiva e decidem que seu próximo projeto será uma colcha, como presente de casamento. O tema será: Onde  vive o Amor?

A medida que ela convive com essas mulheres fortes e especiais, algo dentro dela se transforma…ela passa a ouvir seus instintos e  a ter coragem para manter suas escolhas.

Ao mesmo tempo, ao recontar suas histórias através da colcha, as mulheres passam a encarar suas vidas de forma diferente.

Talvez muitas já tenham assistido, mas este é aquele tipo de filme que a cada vez que vemos nos emocionamos e  temos um novo insight.

Um dos filmes mais lindos que já vi. Inesquecível


Um Olhar Psicológico
Para Quem Deseja Aprofundar a Experiência:
sugiro que assista ao filme primeiro, 
e depois use estes tópicos para reflexão

Fazer um post como este envolve muita pesquisa e trabalho, ficarei feliz se me der um retorno dizendo se este olhar psicológico a ajudou a ter uma experiência mais profunda das mensagens do filme.

Finn, uma mulher jovem e voltada para o mundo das idéias, para o mundo racional, está com dificuldades para dar continuidade ao seu trabalho, busca uma perfeição inatingível, e quando vê que não conseguirá alcançá-la, troca o tema da tese. 

Trocou de tema três vezes, e agora irá falar sobre trabalhos manuais realizados por mulheres de diversas culturas. Não é por acaso que decidiu ir para a casa da avó, pois cresceu vendo aquelas mulheres fazendo quilt (uma tradição americana).

Ao voltar para a casa onde passou grande parte da sua infância, busca se reconectar com os sentimentos e suas raízes.

Existe também a questão das escolhas: para escolher bem, é necessário saber perder. Pois escolher algo, é abrir mão das outras alternativas, que poderiam ser boas também…

Cada uma das mulheres do filme tem uma história de amor peculiar, todas as formas de amor aparecem: o amor dos amantes, de mãe e filha, de irmãs, por um animal de estimação, por uma atividade… cada uma delas representada por um dos quadrados da colcha.

Mas também há mágoas e assuntos  não resolvidos entre elas. E o filme mostra como o perdão pode ser libertador e ressignificar toda uma vida que parecia desperdiçada. E na maioria dos casos, não se trata apenas de perdoar o outro, mas a si mesma.

Ao perdoarmos, uma grande quantidade de energia (que era usada para manter a mágoa) é liberada, podendo ter outros usos criativos. O filme representa esta transformação de forma muito poética, através da força do vento, que  mudou tudo de lugar.

Inclusive, espalhou as folhas da tese para todo lado, o que foi um grande teste para Finn: desistir de novo ou lutar para recuperá-la? A avó tem um papel importante neste momento quando questiona a neta sobre “seu desapego”.

Quando ela escolhe lutar pela tese que já tinha escrito, percebemos que realmente amadureceu, e somente agora poderia encarar uma relação duradoura, que exige muitas reconstruções ao longo da vida.

Muito interessante também o diálogo entre Finn e Constance sobre o que acham mais difícil em ser mulher, como isso muda de acordo com a idade e o momento de vida de cada uma.

Outro detalhe poético é que somente quando a colcha está pronta, ou seja, quando ela recebe a prova concreta do amor daquelas mulheres (que ficaram 72 horas trabalhando sem parar para terminá-la), ela pode ir ao encontro de Sam. E ela o encontra enrolada na colcha, ou seja, ela interiorizou todas aquelas  experiências de vida que lhe foram transmitidas por elas e todas as diferentes formas do amor.

Preste atenção ao papel do corvo, que é fundamental. Uma bela metáfora para a ligação com os sentimentos e com os instintos. O pássaro conduz a mulher para o amor da sua vida, mostrando que quando ela deixa a racionalidade um pouco de lado e ouve seu coração, terá mais segurança de suas escolhas e coragem para mantê-las.

São sete mulheres trabalhando na colcha que será ofertada para a oitava mulher (Finn). O  número sete tem um significado especial: um ciclo que se completa (uma semana), um trabalho realizado (sete dias da criação). O número oito aponta para a transcendência: do ordinário para o extraordinário, do cotidiano para o sagrado. 

E todas as mulheres, ao final do filme, transcenderam seu estado de consciência inicial, ampliando a rede de significados de suas vidas.

Atente para a maravilhosa cena final: o mergulho de Sofia (cuja amargura a havia afastado de sua paixão: o salto ornamental). Uma bela metáfora para a força do perdão,   que nos liberta do passado e nos liga ao amor e o momento presente.

O nome desta personagem, Sofia (Sabedoria em grego) não é por acaso, pois somente quando transformamos nossas aflições em sabedoria é que podemos  "mergulhar” na vida, com toda sua beleza e intensidade. 


Não copie nem publique este conteúdo sem autorização expressa da autora.








20 comentários:

  1. Cristiane,
    estou aqui imersa, te "ouvindo" discorrer sobe todas estas significações marcantes e revendo-as na mente.Assisti a este filme umas três vezes em diferentes épocas e o coloco como primeiro na minha lista de preferências.Com tua abordagem pude lembra-me de detalhes que ainda não havia percebido e renovar a vontade de revê-lo agora munida destas luminosas observações.Obrigada.

    Belo final de semana e que o círculo ativo brilhe incessantemente.
    Bjos,
    Calu

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  2. Adorei a sugestão, Doutora querida! Essa coisa de mulheres conversando, me lembra alguns dos meus filmes favoritos: Flores de Aço e Clube da Felicidade e da Sorte. Vou procurar assistir pela internet. Beijos e obrigada!

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  3. Oi Cris,
    Este filme faz parte da minha coleção particular, assisto com regular frequência porque gosto muito dele, é curioso mas acho que nunca recomendei no blog e só agora me dou conta disso... sua análise é muito boa acredito que valeu a pena todo o trabalho porque este post é muito valoroso, as conquistas das personagens e não só da protagonista podem encontrar eco em tantas mulheres... Adorei análise do 7 e 8!
    Estou acertando no 7 com vistas para o 8, rssss
    bjs

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  4. Cris, já assisti esse filme, ele é realmente maravilhoso. Lembro-me de ter feito muitas reflexões, mas nada parecido ao que você tão sabiamente nos expõe. Tudo isso me fez lembrar de uma coisa que li, e era mais ou menos assim: Quando nos propomos a revisar alguns aspectos de nossa vida, muita coisas acomodadas vão se des - acomodar, coisas antes cômodas vão in – comodar. Muitos aspectos vão ruir e outros reconstruir. Penso que muitas vezes vivemos sob a sombra da ignorância, desperdiçando muita energia em vão. Passamos tanto tempo tentando fugir da nossa verdadeira essência que acabamos vivendo uma vida confusa, onde nada duradouro é possível construir. Mas felizmente a arte da vida ensina, assim como no filme que, através das senhoras e suas histórias, do convívio, dos desapegos enfim, aos poucos ela pôde perceber que todas as suas aflições poderiam transformar-se em sabedoria. E foi o que aconteceu!
    Beijos minha querida, e um lindo e abençoado final de semana
    Denise – dojeitode.blogspot.com

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  5. Oi Cristiane!
    estou super afim de ver esse filme!
    Adoro filmes românticos. E depois de todas essas maravilhosas interpretações,
    certamente terá muito mais valor para mim!
    Obrigado de coração!
    Seja muito feliz!
    Beijos!

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  6. Ótima fica de filme!Bom fds!bjus 😊

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  7. Cris,

    Adorei sua sugestão e comentários sobre o filme.

    Despertou-me a vontade de assisti-lo, principalmente por eu estar começando a me aventurar no mundo do patch...

    Tenha um ótimo final de semana,

    beijinhos,

    Lígia e =^.^=

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  8. Oi, Cristiane, feliz em vê-la no meu cantinho. Boa sugestão e explicação do filme.
    Te desejo um domingo maravilhoso. bjssss

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  9. Que legal Cris tu fazer essa análise... Vou assistir o filme e volto para reler o post... Parece bem interessante!!!
    Paris Manhattan é fraquinho, mas leve de se assistir... Agora A Delicadeza do Amor é lindo mesmo... Lembrei sim que indicasse aqui, mas na hora que escrevi o post esqueci, hehe, desculpe!!!
    Ahhh hoje fui assistir A Menina que roubava livros, lindooooo...
    BOA SEMANA LINDONA!!!!

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  10. Boa noite, estou muito feliz com sua visita, eu já assisti o filme Colcha de retalhos, amei, estou querendo assistir a menina que roubava livros, mas aqui na minha cidade não tem cinema. tenho que esperar DVD ou baixar pela net.linda semana, bjs.

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  11. Cris, a gente sempre tem tanto assunto, queria morar perto de você para falarmos ao vivo e tomando café com bolo... No momento estou tomando café, pão com doce de morango e pão de queijo, hehe...
    Então vamos lá:
    Assisti A menina que roubava livros, é uma obra prima e o filme parece menos triste porque a gente fica menos íntima dos personagens, diferente do livro... Mas é lindo, sensível, triste mas bonito...
    Segundo: concordo em tudo o que dissesse do Hitchcock... Pra mim ele era um sádico louco, que idolatrava aquele cara da história real de psicose... Credo!!! Só não matou todo mundo pq sublimou no cinema, hehe... E a esposa dele que salvou psicose mesmo....
    Terceiro: o que tu vê na personalidade de Zafón???
    Quarto: tu precisa ler Maria Dueñas logo...
    Quintoi: aqui em Tubarão chegou o último da Marlena De Blasi, que tu já lesse, estou louca para comprar!!!

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  12. Viu como são muitos assuntos??? hehe...
    Ahhh e comprei no sebo fazendo pose... É romance e sobre yoga, acho que vamos gostar!!!

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  13. Oi, Cris, que bárbara a sua leitura! Eu já assisti a esse filme há muitos anos. Depois da sua análise preciso revê-lo urgentemente. Lembro-me de haver refletido sobre alguns dos pontos que vc abordou aqui, mas nada tão profundo quanto. Amei!
    Grande abraço e uma linda semana pra vc!

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  14. Querida Cris, que lindoooooo!!!
    Eu já havia assistido esse filme algumas vezes, observando, prestando atenção aos detalhes mas esses que colocou para nós são muito profundos, intensos. Me deu uma louca vontade de vê-lo novamente!
    Que filme não é?
    Outro que amei muito também, foi "Tomates Verdes Fritos", um luxo! Quem sabe uma dica?!
    Mas Colcha de Retalhos nos dá grandes lições de vida, nos faz pensar na nossa...em tudo que fizemos até hoje!
    Grande beijo e obrigada por seu carinho!
    Cris

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  15. Cris esse filme é espetacular....teve uma época na minha vida que vivia grudada nele, nem me lembro de quantas vz assisti. Vou assisti novamente sobre a perceptiva que vc nos colocou. Esse , Flores de aço, tomates verdes e fritos foram filmes que acompanharam na minha adolescência. Muito tempo depois foi a fez de Mulheres do Calendário, espetacular tb.
    Beijo grande e um belo resto de semana para vc!!

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  16. Cris, eu simplesmente amooooo este filme!
    Nossa, faz tempo que não assisto...
    Adorei os tópicos de reflexão, vc é demais flor! :D
    Beijinhos.

    Flores e Luz.

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  17. Oi Cris,
    Eu assisti a este filme há um bom tempo, e me lembro que gostei, mas está na hora de ver de novo. lendo o seu post concluí que não entendi nem a metade. Vou ver com outros olhos.
    Bjs

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  18. Esse filme realmente é muito bom e com o teu olhar atento fica ainda melhor! bjs, chica

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  19. Reafirmo festejando mais uma vez esta necessária partilha que vc nos oferece generosamente, Cris.Teus detalhamentos instigantes coroam a enormidade significativa deste filma. Continua sendo o primeiro lugar em minha lista.
    Obrigada. Bjo,
    Calu

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  20. Olá Cristiane, bela narrativa e muito bem escrita. Lendo, quem não assistiu o filme fica motivada. Parabéns pela bela postagem. Abraços

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