18 de mar. de 2020

O Que Podemos Aprender com a Pandemia?


Acredito que o cosmos tem a sua maneira de reequilibrar as coisas e as suas leis quando são abaladas, e partilho  algumas reflexões.

Quando as alterações climáticas atingiram níveis preocupantes, causando catástrofes ambientais, a humanidade é obrigada a parar.  A economia colapsa, mas a poluição diminui consideravelmente. O ar melhora; você usa a máscara mas respira...

Em um momento histórico em que certas ideologias e políticas discriminatórias estão se reativando em todo o mundo, vem um vírus que nos faz experimentar que em um momento podemos nos tornar os discriminados, os segregados, aqueles bloqueados na fronteira, aqueles que trazem doenças. Mesmo que não tenhamos culpa. 

Numa sociedade baseada na produtividade e no consumo, em que todos corremos 14 horas por dia atrás de não se sabe bem o que, sem descanso, chega a Pausa.

Em casa, dias e dias. A lidar com um tempo do qual perdemos a noção do valor se não for mensurável em dinheiro.

Ainda sabemos o que fazer com ele?

Numa fase em que a educação dos filhos é delegada a pessoas e instituições outras, o vírus fecha as escolas e obriga-nos a encontrar soluções alternativas, a juntar mães e pais com os seus bebês. 

Em uma dimensão em que as relações, a comunicação, a socialidade são jogadas principalmente no "não-espaço" do virtual, dando-nos a ilusão da proximidade; o vírus nos tira a verdadeira proximidade, a real: ninguém pode se tocar. 

Sem beijos, sem abraços, à distância, no frio do não-contato.

Quanto tomamos por garantido estes gestos e o seu significado?

Quando pensar na sua horta se tornou a regra, o vírus nos envia uma mensagem clara: a única maneira de sair é a reciprocidade, o senso de pertencimento, de comunidade. Sentirmos que fazemos parte de algo maior e que cada um é responsável por todos. 

A responsabilidade partilhada, sentir que das suas ações dependem o destino de todos os que te rodeiam. E que você depende deles.

Então, se pararmos de caçar bruxas, de nos perguntar de quem é a culpa ou por que tudo isso aconteceu - mas perguntarmos o que podemos aprender com isso? -  todos teremos muito a ganhar.

Porque com o cosmos e às suas leis, obviamente estamos em dívida. O vírus está nos ensinando. Vamos aprender enquanto é tempo.

Francesca Morelli 
Psicóloga italiana
em 10/03/2020 no Facebook


9 comentários:

  1. Bom dia de paz e saúde, querida amiga Cristiane!
    Esta noite estou em vigília e entre preces faço também boas leituras edificantes.
    A sua me fortaleceu demais. Muito obrigada por revelar tantas verdades.
    A pandemia nos traz um pouco de medo, mas ao mesmo tempo, a esperança de dias melhores pela força da oração não se afasta de nossos 💙💙
    Permita-me partilhar o link do seu blog no meu post pois me identifiquei muito e creio que será de grande enriquecimento a todos.
    Tenha a proteção de Deus contra o vírus impiedoso!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem
    🙏🙏🙏

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    1. Claro que pode Roselia. Agradeço a partilha!
      Vamos todos unidos lutando por um mundo melhor.
      Grande abraço

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  2. Tenho certeza que basta o panorama mundial e perto de nós olhar, poderemos sair muito mais sábias...Isso se quisermos... Estamos TODOS nivelados, não há maiores, nem menores,como alguns assim pensam. TODOS estamos no mesmo barco... Ninguém pode fazer o que quiser e sim o que o vírus deixar!!! beijos, saúde pra todos nós! chica

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  3. Cris, quanto tempo... Que lindo texto! Exatamente, temos muito que aprender com todo esse vírus. E tudo o que está ocorrendo, não somente faz com que passemos a perceber a nossa pequeneza diante do problema, mas, ao mesmo tempo, a nossa grandeza, pois, preocupados pela profunda crise de que perece o mundo, - considerando a ocorrência do grande número de doentes, mortos, os aspectos psicológicos, sociais e o ônus econômico -, vejo que, a maioria de nós está se esforçando para crer que, ainda assim, é possível recuperar algo precioso que está perdido, mesmo que não estejamos vivos para ver. No momento me mantenho em casa, segura e isolada, ainda que virtualmente conectada, resignada, recorrendo a atenuantes que, ao menos por um tempo driblam a percepção do vazio e do caos dos nossos tempos. Escrevi isso hoje lá no blog, que sim, ainda segue vivo. E comparto com você essa frase que me tocou muito: “Porque, ao fim do dia, pode-se ou não ter a vacina contra a peste, mas nunca, como se sabe muito bem, encontraremos uma vacina contra a morte de amigos” Patrick Deville. Saudade de você, saudade daqui... seu blog continua despertando aquela gostosa sensação de um abraço cálido e reconfortante. Beijo grande Cris, cuide-se!

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  4. Oi Cristiane!
    Texto maravilhoso! Momento de reflexão e conexão com o Divino de nosso ser!
    Obrigado por compartilhar!
    Beijo carinhoso!

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  5. Cristiane , vir ao seu acolhedor espaço é sempre bálsamo à alma .
    Agradeço a partilha do sábio texto .
    Beijos

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  6. Oi Cris,
    O texto nos obriga a pensar... o meu marido sempre fala que a natureza está se reequilibrando, e parece ter algo de procedente nesso.
    Vc viu um vídeo sobre as águas de Veneza? Os canis ficaram limpos! Sem a circulação dos barcos dá para ver o fundo e tem um monte de cardumes.
    Beijos

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  7. O seu texto traz um leque de verdades reflexivas. Tudo desordenado, precisando de uma reorganização, de famílias se aproximando e encontrando a essência do existir: o amor. Quando tudo isso passar, vai ficar o amor bem mais forte nos lares e nas relações humanas e homem vai sentir que Deus é tudo. Sim, vim lá da Rosélia e encontrei esse blog maravilhoso e cheio de sabedoria!
    Beijos carinhosos!

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