18 de ago de 2019

Filme - A Intrometida


Confesso que comecei a assistir sem esperar muito deste filme e me surpreendeu! Tem um clima sessão da tarde, roteiro interessante e soluções bem criativas.

Susan Sarandon está excelente no papel de Mamie, uma mulher que passou a vida dedicada à família. Mas a filha cresceu e foi morar do outro lado do país. Um tempo depois o marido de Mamie faleceu. 

Ela recebeu um polpudo seguro de vida. Mas não sabe o que fazer com sua vida. Continua sendo uma pessoa alegre e curiosa, mas está meio perdida...Então ela decide ir morar bem pertinho da filha, para "cuidar dela". 

Ao chegar lá descobre que a filha está saindo de um casamento, com dificuldade para virar a página. Deseja um tempo para si. Mas a mãe quer atenção, não pára de mandar mensagens, de chamar para sair e até entra na sua casa sem avisar!

É confusão na certa, não é? Então a filha dá um basta e se afasta. Nesse momento Mamie começa a ter de interagir com outras pessoas, buscar novos interesses, um sentido para sua vida. 

Ela vai experimentando várias possibilidades...inclusive terapia. E a terapeuta tem um papel importante nessa nova jornada. Os diálogos delas nas sessões são ótimos.

Nesse caminho ela encontra pessoas interessantes, que desejam e precisam de sua presença sempre carinhosa e atenta. Constrói uma rede de relacionamentos significativos, que traz uma nova cor para sua vida. 

Mas claro que ela se mete em algumas confusões engraçadas...E acaba encontrando o amor onde menos esperava.

Com menos pressão e exigências com a filha, dá espaço para que ela encontre seu caminho de cura para poder virar a página do relacionamento que acabou e seguir adiante. 

O filme aborda também a importância de fechar ciclos, de fazer os lutos necessários para que o novo possa surgir. 

É muito bom ver uma mulher que foi educada para servir (e que se sentia feliz com isso) descobrir que pode ir além do seu mundinho, que pode desejar novas experiências, aprender novas habilidades, construir amizades e dar um significado muito maior à sua vida, mesmo em uma idade mais avançada. 

Uma delícia de filme, tem no Netflix.

Recomendo!



14 de ago de 2019

A Busca do Sentido - Este Pequeno Livro é uma Jóia Preciosa

Resultado de imagem para Busca do sentido Marie Louise Von-Franz Livros

Acho que não vou conseguir expressar num post a beleza , delicadeza e  profundidade deste pequeno livro. São apenas duas entrevistas que Marie Louise von Franz concedeu à uma rádio francesa, mas que entrevistas!

Nas duas ela fala sobre a busca de sentido, o caminho da realização e o encontro da própria identidade. Por ser na forma de uma conversa, é bem acessível mesmo para quem não é da área. 

Ela trabalhou com  Jung por quase 30 anos, uma das maiores analistas junguianas do século XX. 
Na primeira entrevista, intitulada "O Sonho de Merlin", ela explora os significados dessa figura lendária e sua relação com o processo de auto-conhecimento, abordando também conceitos básicos de alquimia e a importância dos sonhos.

A segunda entrevista,  "Os Sonhos e o Destino", foi concedida um ano depois. Logo após o lançamento de seu livro "Os Sonhos e a Morte", onde através do estudo de centenas de sonhos de pacientes terminais, ela percebe que todos apontam para a continuidade da psique (alma) além do corpo físico. 

Por ser uma pesquisa na área de psicologia, sem conexões religiosas,  não há conclusões sobre como seria essa continuidade, apenas a percepção de que todo o arcabouço onírico, ou seja, o conteúdo dos sonhos apontam para algo além da vida física. 

Durante as entrevistas ela dá vários exemplos de casos clínicos e também compartilha alguns de seus próprios sonhos e experiências pessoais. 

Sua fala é tão envolvente que eu não conseguia largar. Ao terminar, a sensação era de estar enriquecida, com horizonte mais amplo e com uma bússola que aponta para o real sentido da existência. 

Belíssimo e importante para quem busca auto-conhecimento e fundamental para quem é terapeuta. 

Recomendadíssimo!




11 de ago de 2019

Ser Pai...


Uma lembrança marcante na infância é aquele momento em que a criança está tirando as rodinhas da bicicleta, o pai correndo atrás e segurando. 

Quando sente que o filhote pegou o jeito, ele solta, e a criança vai em frente feliz por conseguir se equilibrar em duas rodas.

Dele vem o empurrão para nos lançar no mundo. Na verdade, ele é a fronteira entre o ninho e o mundo, entre o que somos e o que podemos vir a ser. Entre as possibilidades e os limites.

Hoje há muitos jeitos de ser pai, eles estão mais presentes: tem os que trocam fraldas, os que vão à reunião da escola, ao pediatra…

Por suas atitudes, ele nos ensina as regras da vida e se torna uma bússola, um porto seguro e esse é o seu mais importante legado: não apenas estar junto, mas estar dentro, como um farol sempre aceso.







Feliz Dia dos Pais!




5 de ago de 2019

Inspiração - Clarissa Pínkola Estés

Vá em frente, lute. Pegue a caneta, coloque-a sobre o papel e pare de choramingar. Escreva.

Pegue o pincel e provoque uma mudança. Pinte.


Coloque um vestido solto, amarre fitas em seu cabelo, em sua cintura, em seus tornozelos, e diga a seu corpo para tirá-la daí. Dance.


Atriz, dramaturga, poeta, musicista...seja o que quiser....Pare de falar. Não diga uma só palavra, a menos que seja para cantar.

Estando num quarto fechado 
ou numa clareira sob as estrelas.
Faça sua arte.
Sabemos que uma coisa não poderá ser congelada
se estiver se movendo.
Então mova-se.
Continue em Movimento.

Clarissa Pínkola Estés
In: Mulheres que Correm com os Lobos


Para inspirar a todas!


28 de jul de 2019

Para Uma Pessoa Bonita

 Tao Porchon-Lynch dançando aos 93 anos,
a professora de yoga mais velha em atividade no mundo

Todos os dias e em todos os momentos, as pessoas caminham sem se dar conta de que revelam no rosto e no corpo tudo aquilo que já viveram.

Desde o nascimento, tudo o que pensamos e falamos, todas as nossas ações e  intenções, tudo isso molda nosso corpo, nossa mente e nosso ser. Basta um simples olhar e toda a nossa caminhada, etapa por etapa, nitidamente se revela para aqueles que sabem ver.

Depois dos quarenta anos de idade, somos responsáveis por nosso rosto. De fato, é por volta dos quarenta anos que a face e o corpo, esculpidos lentamente desde o nascimento por cinzéis invisíveis, revelam o que nem roupas, nem maquiagem podem esconder.

O professor Aizu Yaichi (grande poeta japonês) escreveu certa vez a um aluno: "Meu caro amigo, em cada circunstância, agindo e pensando com tranquilidade, atenção, e o coração em paz, espero tornar-me uma pessoa bonita."

Também eu desejo ardentemente envelhecer deste modo. 

Monja Shundo Aoyama Roshi
In: Para uma Pessoa Bonita
Contos de uma mestra Zen
Ed. Palas Athena