20 de mai de 2019

Porque a Beleza é Tão Importante?


"Platão nos conta que antes de nascer, a alma contempla todas as coisas belas do universo. Essa experiência é tão forte que todas as infinitas formas de beleza do universo ficam eternamente gravadas na alma. 

Ao nascer, nos esquecemos delas. Mas não as perdemos. A beleza fica em nós, adormecida, como um feto. Todos estamos grávidos de beleza, que quer nascer para o mundo qual uma criança. Quando a beleza nasce, reencontramo-nos com nós mesmos e experimentamos a alegria.

Ao ouvir uma música que me comove, eu me reencontro com a mesma beleza que estava adormecida dentro de mim.

O contato com a beleza faz com que nos lembremos de nossa verdade e essência."      
Rubem Alves 
In:  Pimentas
Ed. Planeta


Para mim, a experiência da beleza é algo que cura. Contemplar algo belo eleva nossa alma, nos dá a real dimensão da existência. 

Mas para que o ciclo se complete, também precisamos trazer beleza para o mundo em tudo o que fizermos. Seja nas tarefas cotidianas, num gesto de atenção e carinho, no cuidado com o meio ambiente,  numa maneira mais criativa de viver.

A beleza que trazemos para o mundo nos cura duplamente! Porque permitimos que algo da nossa essência nascesse e por contemplá-la agora no mundo concreto. 

Embora a presença da beleza afete a todos sem dúvida; seja num cuidado, na forma de fazer algo ou na simples presença de alguém em sintonia com a sua  essência divina, a cura não depende do reconhecimento dos outros.

Todas as pessoas estão grávidas de beleza, mas nem todas permitem que ela venha à luz...

Qual é a beleza que você quer trazer ou já traz para o mundo? 









15 de mai de 2019

Coragem, E Como a Educação Muda Vidas - Histórias que Curam


Nestes tempos difíceis, conto minha própria experiência de como a educação pode transformar vidas. Postei lá no Instagram, mas nem todas estão na rede social, então compartilho aqui também.




Tive dúvidas sobre compartilhar passagens de minha vida, mas criei coragem ao pensar que poderia ser útil para outras mulheres. Não sei por que os dicionários classificam essa palavra como substantivo. Afinal, seus significados são verbos! Enfrentar, suportar, ultrapassar, realizar...É no cotidiano que se cultiva coragem, no exercício criamos intimidade com ela. Quando eu tinha dez anos, um dia durante o jantar meu pai disse à minha mãe que eu não iria para a escola no ano seguinte. "Ela só precisa saber ler e fazer as contas para não ser enganada no mercado. Prá cuidar da casa e dos filhos não precisa de diploma."⠀ Ouvi e fiquei desesperada, eu adorava ir à escola! Tinha as melhores notas da classe! Por que? Já comecei a bolar um plano na minha cabecinha de criança para ir à escola escondida...por favor, não me tirem essa alegria...⠀ Olhei para minha mãe, nossos olhares se cruzaram, ela viu minha angústia. E apesar de ser oprimida por um marido violento e de ser muito tímida, ela disse não para ele. Disse que eu era inteligente e poderia ter uma profissão. Ele disse que não gastaria um tostão comigo. ⠀ Naquela época, não havia muitas escolas públicas, consegui uma vaga numa escola do bairro vizinho. Uma hora a pé para ir e outra para voltar, no sol ou na chuva, porque não havia dinheiro para ônibus. Ela fazia reparos de costura para conseguir os trocados para comprar material escolar, que eu cuidava como se fosse ouro!⠀ Assim consegui terminar o ensino fundamental. O ensino médio foi outra luta que um dia contarei ..⠀ Hoje, mais de 40 anos depois, formada em Medicina, Residência, Mestrado, Doutorado e várias especializações no exterior, honro a coragem de minha mãe e a minha própria através deste trabalho com grupos, para que mais e mais mulheres se apropriem de sua potência e façam sua luz brilhar. ⠀ Falei que coragem deveria ser verbo, mas está mais para músculo...quanto mais a gente usa, mais forte fica. ⠀ CORAGEM = COR+AGEM = Agir com o coração. ⠀ Com o coração de uma leoa, que deseja ajudar no retorno da Alma ao Mundo.⠀ . Compartilhe este post com alguma mulher que possa se inspirar com esta história. Obrigada

12 de mai de 2019

Todas as Mulheres São Mães!


Embora gerar e criar um outro ser seja uma experiência incrivelmente transformadora, do ponto de vista psicológico, a função materna transcende este fato.

Envolve os gestos de acolher, gestar, dar à luz, nutrir, cuidar, proteger, orientar... e isso pode ser feito de muitas maneiras.


Ao longo da vida, vamos encontrando vários tipos de mãe:

as que criam seus filhos com amor e dedicação,  
as que são mães de idéias que transformam vidas, 
que gestam e criam projetos que beneficiam a muitos, 
as que dão à luz novos conceitos e paradigmas, 
que lutam por um mundo melhor,
as que nutrem corpos e almas,
que cuidam do que é de todos,
 que zelam por manter vivos valores humanos num mundo em transição, 
as que protegem a nossa mãe natureza,
as que nos acolhem e nos orientam em nosso caminho. 

A todas vocês minha sincera homenagem e minha gratidão.

Feliz Dia das Mães!


5 de mai de 2019

Filme - Feministas - O Que Elas Estavam Pensando?



Que filme incrível!!!

Como disse Jung: "Nós seguimos nos ombros dos grandes."

Eu diria "DAS grandes!"

Elas estão lutando pelos direitos das mulheres desde a década de 70. Entrevistadas agora em idade avançada, relembrando aquela época, as dificuldades que enfrentaram...destacando as conquistas e os desafios que ainda temos para uma igualdade entre os gêneros. 

Quantas aventuras! Quanta coragem de ir em busca de si mesmas!

Algumas de suas falas tocam fundo no coração. Qual de nós nunca viveu uma situação parecida?

Emocionante e Inspirador.

Por nós, por elas, por nossas filhas e netas...Assista.



30 de abr de 2019

O Círculo em Mim - Histórias que Curam



Uma grande emoção receber este depoimento da Rapha; quanta sabedoria, delicadeza e beleza! Não poderia deixar de compartilhar com vocês...

"No final de 2014, me chegou uma vontade nova. Com o entusiasmo das coisas que se decidem por si mesmas, pedi para fazer parte de um círculo de mulheres dedicado à compreensão do feminino e ao resgate do cuidado amoroso com a existência – o Mulheres em Círculo. Havia vaga. Fui aceita. 

O primeiro encontro aconteceu em março de 2015. Faz quatro anos. Uma graduação universitária, pensei dia desses. Levei quatro anos para me tornar jornalista profissional. E agora? O que me tornei passado esse mesmo tempo entre conversas, chás, partilhas, leituras, estudos, histórias, mitos, sonhos, insights, danças, trabalhos corporais e artísticos? 

Constato que não me tornei. Estou me tornando. A percepção do tempo mudou. Quatro anos no mundo acadêmico não encontram equivalência num círculo de mulheres. Ali fui sendo levada por uma espiral que, aos poucos, foi desmontando qualquer pretensão de linearidade – hoje posso comungar com o poeta Manoel de Barros: “A expressão reta não sonha”.

Feito criança desajeitada com as primeiras sílabas, venho aprendendo a conjugar verbos até então assustadores, como fluir, ondular, serpentear, perambular, atravessar. Antes, cada ação pensada com esmero me levaria à seguinte e assim por diante, até  possuir o alvo. Havia certezas. Havia lógica. Agora existe o anseio de sentir o chão e, a partir dele, intuir o passo. 

Como ensina Marion Woodman, a vida avança, recua, se esgueira pelos precipícios, sonda os vales, visita os subsolos, explora as beiras, retoma o curso lá adiante, não nessa ordem, nunca numa ordem. Mas sempre na confiança da revelação. “Algo novo emergirá do caos”. E as máscaras ficarão pelo caminho. As minhas estão se esfarelando, não sem dor, não sem medo, mas com abertura e compreensão de que deixar ir é deixar vir. O quê? Não sei. Porém pressinto. Farejo.

Não é preciso saber. Estou aprendendo que basta saber sem saber, pois o excesso de razão seca a alma, a compreensão intelectual estrangula o mistério. Além do mais, as vísceras se comunicam. O corpo é guia e protetor. Ele só precisa ser ouvido e atendido – não moldado e retalhado. Em retribuição, derrama sua bondade, seu amor, seu prazer de ser carne e consciência. 

Amor. A lição mais básica, o começo de tudo. O meu começo, o meu recomeço. O amor em mim que não julga, não condena, não maltrata, porque acolhe todas as minhas partes, todos os matizes. Amor que sustenta a vida e respeita a morte. Amor que religa, reúne, reorienta. Amor que é natureza, aquela que transforma, regenera e expande.

Na espiral do vir a ser, continuo chegando a lugares onde nunca estive, ao mesmo tempo em que revisito outros, antigos, familiares. Entro e saio. Vou e volto. Avanço. A força das mulheres, vivas e mortas, jovens e velhas, curadas e feridas, me anima. Formamos uma roda imensa. Vamos assim, juntas. Girando, girando, girando..."


Raphaela de Campos Mello

Que alegria ter você conosco, que honra fazer parte desta história! 

E vamos seguindo no caminho do cuidado amoroso, girando, girando, girando...