Mostrando postagens com marcador Contos de Sabedoria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos de Sabedoria. Mostrar todas as postagens

O Círculo dos 99 - Histórias que Curam


Dizem que um rei contratou um bobo da corte muito feliz para alegrá-lo.  Porém, mais do que rir, ele queira saber o que tornava o bobo tão feliz. 
            
Ele consultou os sábios da corte, que concluíram: o bobo era assim porque estava fora do círculo dos 99. Para comprovar sua teoria sugeriram que o rei deixasse na porta do bobo um saco com 99 moedas de ouro e o observasse escondido. 
            
Além disso o monarca deveria deixar o seguinte bilhete: "Estas 100 moedas de ouro são suas. O tesouro é um prêmio por você ser um homem bom e feliz. Desfrute-o e não conte onde o encontrou." 
          
O rei aceitou o desafio. O bobo achou o presente e, sem acreditar no que via, começou a contar as moedas: 97, 98, 99....faltava uma!  Inconformado contou de novo. "Que droga! Como assim ?!?" , perguntava a si mesmo.
            
O rei via que , ao invés de ficar contente por receber as moedas, ele estava com uma expressão angustiada e tensa. O bobo começou a fazer planos de como conseguiria a última moeda, tarefa que iria consumir alguns anos de sua vida e que o manteria insatisfeito e infeliz até realizá-la. 
            
Abismado, o rei presenciava como o menestrel acabava de entrar para o círculo dos 99, e assim iniciava sua vida de homem infeliz. 
          
Ao olhar para o que falta ao invés de desfrutar do que temos, também entramos no círculo dos 99...Que tal mudar o olhar?



Quer uma Maçã? - Conto de Sabedoria


Uma garota segurava em suas mãos duas maçãs. Sua mãe entrou e lhe pediu com um belo sorriso: 

"Você poderia dar uma de suas maçãs para mamãe?"

A menina levantou os olhos para sua mãe e subitamente mordeu uma das maçãs e logo em seguida a outra.

A mãe perdeu o sorriso. Ela tentou não mostrar sua decepção quando sua filha lhe deu uma de suas maçãs mordidas.

A pequena olhou sua mãe com os olhinhos brilhando e disse: 

"Essa é a mais doce."
...

Não importa se você é experiente, competente ou sábia. Retarde sempre o seu julgamento.

Nem tudo é o que parece. Saiba esperar, respire profundamente.

Quantas vezes nos precipitamos, julgamos e condenamos sem dar tempo ou oportunidade para que as coisas se esclareçam?


O Que Há de Melhor Nesta Vida - Lenda Grega


Uma lenda encantadora sobre o sentido da vida. Trecho do Curso "A Substância Oculta nos Contos de Fadas e Sonhos".

Encante-se também....

A Leste do Sol, a Oeste da Lua - Histórias que Curam


Encante-se com este lindo conto do Polo Norte, repleto de sabedoria e inspiração,  que abordamos no Curso "A Substância Oculta nos Contos de Fadas e Sonhos". 


A Mulher que Não Tinha Medo




Encante-se com este belo conto de fadas japonês com uma sabedoria profunda, que usamos na aula prática com Curso "A Substância Oculta nos Contos de Fadas e Sonhos". 



Conto de Sabedoria - A Mulher do Bom Nome


O belo conto que utilizamos na aula prática do Curso "A Substância Oculta nos Contos de Fadas e Sonhos".

A força das narrativas e da ancestralidade; e tantos símbolos e desdobramentos nos exercícios propostos...Uma riqueza!






O Poder de Cura da Imaginação e das HIstórias


Ao contar ou ler uma história que não aconteceu, mas que poderia ter acontecido ou ainda acontecer a alguém que não é uma pessoa real mas poderia ser, abrimos a porta da imaginação. 

E a imaginação é a melhor, talvez a única maneira de saber algo sobre a mente e o coração uns dos outros.

E podemos re-imaginar e re-encantar o mundo; à partir do lugar profundo e escuro, de onde nasce a intuição; o porão das histórias, o saco das estrelas. O feitiço, o sonho, a encruzilhada do nosso despertar.

Continuar a inventar, relembrar e contar as histórias e a criar estratégias para prestar atenção e aprender a ler os sinais que nos permitem imaginar a partir de uma perspectiva decolonial e multiespécies. 

Este é o caminho para elaborar novas narrativas para nossas próprias vidas, onde cabem a cura, a paz e o encantamento do mundo.

Úrsula K. Le Guin
A Bolsa de Ficção


A substância oculta nos contos de fadas


"Talvez nos lembremos de algum trecho da história preferida na infância, de alguma fórmula mágica introdutória, 
de palavras que se repetiam como uma canção 
e que nomeavam tudo aquilo 
de que não seria falado no restante das horas, 
tudo o que não se diria diante das visitas nem à mesa, 
nem na fila do colégio; 
a substância oculta dos contos, 
aquele poder das palavras para dar nome e existência 
a realidades interiores, tantas vezes terríveis e incertas, 
apesar da suposta inocência 
que os adultos costumam atribuir aos tempos de infância.

Os contos nos ajudam a nomear, 
num idioma secreto, num idioma 'outro', 
aqueles mistérios essenciais que nunca conseguimos entender: 
a vida, a morte ...E tudo o que está no meio disso.

Assim o ser humano vai construindo a sua própria casa de palavras, 
através de suas experiências de vida, 
encontrando sentido nesse tecido complexo de relações e de histórias." 

Yolanda Reyes
"A Substância Oculta dos Contos"


Às Vezes Um Deus Selvagem...


Às vezes um deus selvagem chega à mesa.
Ele é estranho e não conhece as artes da porcelana,
Dos talheres, da mostarda e da prata.
Sua voz transforma o vinho em vinagre.

Quando o deus selvagem chegar à porta,
Você provavelmente vai temê-lo.
Ele lembra algo escuro
Com que você talvez tenha sonhado,
Ou o segredo que você não quer compartilhar.

Ele não toca a campainha;
Em vez disso, raspa a porta com os dedos,
Manchando a tinta de sangue,
Embora as prímulas cresçam em círculos ao redor de seus pés.

Você não quer deixá-lo entrar.
Você está muito ocupado.
É tarde, ou cedo, e, além disso,
Você não consegue olhar de frente para ele
Porque ele o faz querer chorar.

Seu cachorro late; 
O deus selvagem sorri.
Estende a mão,
E o cão lambe suas feridas.
Depois o leva para dentro.

O deus selvagem está de pé em sua cozinha.
A hera tomou conta de seu aparador,
O visco se instalou nos abajures, 
E as carriças começaram a cantar
Uma canção antiga no bico de sua chaleira.

“Não tenho muito”, você diz, 
E lhe dá o que há de pior em sua comida.
Ele se senta à mesa, sangrando, 
Tosse raposas.
Há lontras em seus olhos.

Quando sua esposa chama lá de cima,
Você fecha a porta 
E diz que está tudo bem.
Você não vai deixar que ela veja
O estranho hóspede à sua mesa.

O deus selvagem pede whiskey
E você lhe serve um copo,
Depois serve outro para si mesmo.
Três cobras começam a fazer ninho
Em sua laringe. Você tosse.

Ó, espaço infinito!
Ó, mistério eterno!
Ó, infindáveis ciclos de morte e nascimento!
Ó, milagre da vida!
Ó, assombrosa dança disso tudo!

Você tosse novamente,
Cospe as cobras
E dilui o whiskey, 
Enquanto se pergunta como envelheceu tanto
E onde foi sua paixão.

O deus selvagem enfia a mão numa bolsa
Feita de pele de toupeira e rouxinol.
Tira dela uma flauta de bambus,
Ergue uma sobrancelha
E todos os pássaros começam a cantar.

A raposa pula para dentro de seus olhos.
As lontras correm da escuridão.
As cobras se espalham por seu corpo.
Seu cachorro uiva e, no andar de cima,
Sua mulher se alegra e chora ao mesmo tempo.

O deus selvagem dança com seu cachorro.
Você dança com os pardais.
Um veado branco puxa um banco
E muge, entoando hinos para encantamentos.
Um pelicano pula de cadeira em cadeira.

À distância, guerreiros pulam de seus túmulos; 
O ouro antigo cresce como grama nos campos.
Todos sonham com as letras de canções há muito esquecidas.
As colinas ecoam e as pedras cinzentas soam
Com risadas, loucura e dor.

No meio da dança,
A casa se eleva do chão.
As nuvens entram pelas janelas;
O raio atinge a mesa com força
E a lua se inclina para dentro.

O deus selvagem aponta em sua direção.
Você sangra muito.
Você sangra há muito tempo,
Talvez desde que nasceu.
Há um urso na ferida.

“Por que você me deixou morrer?”
Pergunta o deus selvagem e você diz,
“Eu estava ocupado sobrevivendo.
As lojas estavam todas fechadas;
Eu não sabia como. Sinto muito.”

Escute-os:
A raposa em seu pescoço 
E as cobras em seus braços,
A carriça e o pardal
E o veado ...
As grandes bestas inomináveis
Em seu fígado e seus rins e seu coração ...

Há uma sinfonia de uivos.
Uma cacofonia de conflitos.
O deus selvagem balança sua cabeça e
Você acorda no chão
Segurando uma faca,
Uma garrafa e um punhado de pelo preto na mão.

Seu cachorro dorme na mesa.
Sua esposa se agita lá em cima.
Lágrimas lhe correm pela face;
Sua boca dói de rir e gritar.
Um urso negro está sentado junto ao fogo.

Às vezes um deus selvagem chega à mesa.
Ele é estranho e não conhece as artes da porcelana,
Dos talheres, da mostarda e da prata.
Sua voz transforma o vinho em vinagre
E ele traz os mortos de volta à vida.

Autor: Tom Hirons
Tradução: Lourdinha Heredia


O Círculo da Sabedoria


Eu te convido a entrar por um momento
no Tempo e Espaço Sagrados,
em uma forma de ver que é ampla e espaçosa.

Veja este Dia, 
do momento em que você se levantou nesta manhã
até o momento em que for dormir, 
como uma Cerimônia.

Dividida em pequenos e conhecidos rituais,
com o seu Coração como o Altar.
Você, parte dos Ciclos de Luz e Escuridão.

Agora, comece a ver sua Vida,
do momento da sua Concepção até o momento da sua Morte,
como uma longa e contínua Cerimônia, repleta de rituais.

Alguns conhecidos, outros desconhecidos e desafiadores, 
com sua Casa e Todas as Suas Relações como o Altar.
Você, parte de muitos Ciclos e Estações.

Agora, veja esta Cerimônia da sua Vida
como parte de uma Cerimônia muito maior
que se estende Sete Gerações no Passado
e Sete Gerações no Futuro, 
feita de muitos Nascimentos e Mortes.
Com este lindo Planeta Terra como o Altar.
Você, parte da grande Teia e Fluxo.

Agora, imagine esta enorme Cerimônia
como apenas uma parte 
de uma Cerimônia tão Grande e Magnífica
que é difícil compreender.

Um vasto Círculo Cerimonial, rico e vibrante
com milhões e milhões de Círculos de Luz Dançantes.
E Você, um destes Círculos Rodopiantes,
uma Dançarina no Altar do Universo
onde o Tempo é Eterno.

Que Você possa dançar na Beleza.

Sedonia Cahill
(1936 - 2000)
Poeta e Cerimonialista Americana



As Maravilhosas Bolas de Luz de Denis Smith


    Veja que fotos maravilhosas! 
    São chamadas de "Light Painting" ou pintura com luz.
    Estas fotos salvaram a vida do neo-zelandês Denis Smith.


Ele tinha um trabalho muito estressante que o levou à depressão e ao alccolismo. Quando se deu conta do sofrimento que estava causando a si mesmo e à sua família, mudou de trabalho e de país. Foram recomeçar a vida na Austrália. E nas horas vagas começou a fotografar. 


O resultado foi uma exposição que fez muito sucesso, um livro e um vídeo. Agora é fotógrafo em tempo integral e tem uma escola de fotografia.

Ele programa a câmera e a coloca num tripé. Em seguida se posiciona no local onde quer a bola de luz e começa a girar um fio com uma lâmpada de led na ponta. Ele move o corpo ao mesmo tempo, de modo que sua silhueta não aparece dentro da bola.


Ele disse que ter tempo para se dedicar à fotografia lhe deu a oportunidade de ficar sozinho e poder desbravar as paisagens por horas e isso lhe trouxe de volta a serenidade.


Ele diz que não sabe porque começou a fazê-las, mas que elas salvaram sua vida. Agora planeja sair pelo mundo fotografando as bolas de luz por todo o planeta.

Além de nos oferecer toda essa beleza, ele nos dá uma grande lição: a de que sempre existe uma saída criativa para o sofrimento. 

   
O mundo se oferece à nossa imaginação com oportunidades de cura e regeneração. Precisamos estar atentos e abertos para perceber, pois podem estar em coisas aparentemente simples.

Tanto a história dele quanto sua arte são lindas demais, não é?



Prece Xamânica para Centramento - Tradição Cherokee


"Eu caminho para dentro e para fora de muitos mundos.

Em minha mente, há muitas moradas.

Cada uma destas, criamos nós mesmos - a morada da raiva, a morada do desespero, a morada da auto-piedade, a morada da indiferença, a morada do negativo, a morada do positivo, a morada da esperança, a morada da alegria, a morada da paz, a morada do entusiasmo, a morada da cooperação, a morada da doação. 

Cada uma dessas moradas visitamos todos os dias.

Podemos permanecer em cada uma delas o tempo que quisermos. 

Podemos abandonar cada uma dessas moradas mentais no momento que desejarmos. Nós criamos a casa, nós ficamos na casa, nós saímos da casa quando bem quisermos.

Podemos criar novos aposentos, novas casas. Quando entramos nestas moradas elas tornam-se nosso mundo até que a deixemos por outra.

Grande Espírito, ninguém pode determinar a morada que devo escolher entrar. 

Ninguém tem o poder para isso, a não ser eu mesmo. 

Permita-me que hoje eu escolha sabiamente.''

Joy Harjo
Escritora da Etnia Cherokee 


A Lenda do Girassol


Fiquei encantada com esta história porque o símbolo do nosso grupo, que você pode ver na barra lateral, é justamente uma fusão do Sol com o Girassol.

Dizem que existia no céu uma estrelinha tão apaixonada pelo sol que era a primeira a aparecer de tardinha, no céu, antes que o sol se escondesse. E toda vez que o sol se punha ela chorava lágrimas de chuva.

A lua falava com a estrelinha que assim não podia ser, que estrela nasceu para brilhar de noite, para acompanhar a lua pelo céu, e que não tinha sentido este amor tão desmedido!

Mas a estrelinha amava cada raio do sol como se fosse a única luz da sua vida, esquecia até a sua própria luzinha.

Um dia ela foi falar com o rei dos ventos para pedir a sua ajuda, pois queria ficar olhando o sol, sentindo o seu calor, eternamente, por todos os séculos.

O rei do vento, cheio de brisas, disse à estrelinha que o seu sonho era impossível, a não ser que ela abandonasse o céu e fosse morar na Terra, deixando de ser estrela.

A estrelinha não pensou duas vezes: virou estrela cadente e caiu na terra, em forma de uma semente.
O rei dos ventos plantou esta sementinha com todo o carinho, numa terra bem macia. E regou com as mais lindas chuvas da sua vida.

A sementinha virou planta. Cresceu sempre procurando ficar perto do sol. As suas pétalas foram se abrindo, girando devagarzinho, seguindo o giro do sol no céu. E, assim, ficaram pintadas de dourado, da cor do sol.

É por isso que os girassóis até hoje explodem o seu amor em lindas pétalas amarelas, inventando verdadeiras estrelas de flores aqui na Terra.

Nos dias nublados, as flores viram-se na direção das outras para receber um pouco da luz do sol refletida nas pétalas, desta forma, dão força umas às outras.

Diz a lenda que quando o último girassol sumir, o sol se apagará de tristeza, pois não era a planta que girava para ele. Ela apenas dançava e ele, admirado, a seguia.

Linda lenda, não é? 

P.S.: Nas últimas duas semanas estive fazendo um curso no exterior, 
mas em breve retribuirei as visitas e o carinho de todas. 



Porque a Beleza é Tão Importante?


"Platão nos conta que antes de nascer, a alma contempla todas as coisas belas do universo. Essa experiência é tão forte que todas as infinitas formas de beleza do universo ficam eternamente gravadas na alma. 

Ao nascer, nos esquecemos delas. Mas não as perdemos. A beleza fica em nós, adormecida, como um feto. Todos estamos grávidos de beleza, que quer nascer para o mundo qual uma criança. Quando a beleza nasce, reencontramo-nos com nós mesmos e experimentamos a alegria.

Ao ouvir uma música que me comove, eu me reencontro com a mesma beleza que estava adormecida dentro de mim.

O contato com a beleza faz com que nos lembremos de nossa verdade e essência."      
Rubem Alves 
In:  Pimentas
Ed. Planeta


Para mim, a experiência da beleza é algo que cura. Contemplar algo belo eleva nossa alma, nos dá a real dimensão da existência. 

Mas para que o ciclo se complete, também precisamos trazer beleza para o mundo em tudo o que fizermos. Seja nas tarefas cotidianas, num gesto de atenção e carinho, no cuidado com o meio ambiente,  numa maneira mais criativa de viver.

A beleza que trazemos para o mundo nos cura duplamente! Porque permitimos que algo da nossa essência nascesse e por contemplá-la agora no mundo concreto. 

Embora a presença da beleza afete a todos sem dúvida; seja num cuidado, na forma de fazer algo ou na simples presença de alguém em sintonia com a sua  essência divina, a cura não depende do reconhecimento dos outros.

Todas as pessoas estão grávidas de beleza, mas nem todas permitem que ela venha à luz...

Qual é a beleza que você quer trazer ou já traz para o mundo?