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7 de dez. de 2019

Filme - A Juíza

A Juíza
Heroína, Ícone, Dissidente

Dá prá imaginar uma mulher de 86 anos que se tornou um ícone da cultura pop de um país? E mais do que isso, uma mulher que é super respeitada com uma trajetória pautada pela luta por igualdade racial e de gênero?

Pois essa mulher existe: Ruth Bader Ginsburg, Juíza da Suprema Corte Americana!

Neste documentário acompanhamos sua vida desde a entrada na Faculdade de Direito de Harvard, onde era a única aluna do sexo feminino. 

Ela já era casada e tinha um bebê. Durante o curso ficou grávida e teve o segundo filho, mesmo assim conquistou a distinção de estar entre os cinco melhores alunos de todas as turmas da Faculdade. 

Logo após sua formatura começaram os protestos pelos direitos civis dos afro-americanos e os protestos por igualdade das mulheres, ela se engajou nos dois movimentos. 

Não conseguia trabalho porque a maioria dos escritórios de advocacia não contratava mulheres.

Voltou para a Faculdade, fez Mestrado e Doutorado trabalhando como professora de Direito.

Tornou-se uma conhecida defensora das causas sociais e trabalhistas em favor das mulheres e dos menos favorecidos em vários processos ao longo dos anos, até sua nomeação para a Suprema Corte pelo Presidente Bill Clinton.


Desde então ela continua se posicionando sempre pelo que acredita ser correto de acordo com as leis e a favor da justiça social. Assim conquistou o respeito e a popularidade, admirada inclusive pelos jovens que a vêem como um ícone. Uma lenda viva. 

É uma delícia ver sua trajetória, sua força e determinação. O documentário é muito bem feito e tem uma narrativa interessante, como se fosse um filme de ficção. 

A gente se envolve e se diverte com sua irreverência. 

Quantas lutas, conquistas e sabedoria...

Eu não a conhecia, mas agora virei sua fã. Que mulher inspiradora!

Recomendadíssimo, especialmente para as alunas dos cursos Feminilidade Consciente, Mito e Psique e para as Lobas, é claro...

Está no Google Play.




9 de nov. de 2019

Filme - Estrelas Além do Tempo



Este filme foi uma grata surpresa. Não apenas porque é ótimo, mas também porque eu desconhecia a história destas mulheres incríveis. Adoro filmes baseados em fatos reais.

Em plena guerra fria (1961), Estados Unidos e União Soviética disputam a primazia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade americana lida com uma profunda cisão racial.

Estas três amigas, são matemáticas e engenheiras, foram contratadas pela NASA para trabalhar como calculadoras (antes da era do computador). Enfrentam discriminação por serem mulheres num ambiente masculino e ainda sofrem discriminação racial. 

Decodificam a linguagem para fazer a programação do primeiro computador criado pela IBM, coisa que nenhum especialista da NASA tinha conseguido realizar.

Elas percebem falhas nos cálculos para o lançamento e defeitos estruturais na construção do foguete da primeira missão tripulada para o espaço. Isso poderia resultar em um grande desastre e morte dos astronautas. 

Mas como fazer aquele bando de homens brancos ouvi-las?

Aí entram a garra e a criatividade...superando inúmeros desafios, atentas a todas as oportunidades e acreditando no seu potencial, elas fazem história!

E também foram as protagonistas de várias mudanças dentro da própria NASA para maior eqüidade racial e de gênero.


Acima as atrizes e as personagens reais, as primeiras mulheres engenheiras aero-espaciais, que receberam vários prêmios e honrarias por suas contribuições à ciência ao longo da vida.

Um filme inspirador e muito gostoso de assistir. 

Está em vários sites para alugar on line.

Recomendo a todas!


4 de set. de 2019

Filme - O Silêncio dos Homens



Belo, Poderoso e Necessário!

Essa foi a sensação ao final deste documentário que está disponível gratuitamente no Youtube.

O Grupo Papo de Homem fez uma pesquisa em todo o Brasil, enviando questionários para milhares de homens e identificou as principais dificuldades e dores de ser homem no mundo atual. 

Com essa pesquisa descobriram tambem muitos grupos de homens em todas as regiões do país; em escolas, associações de bairro, ONGs...onde eles podem conversar abertamente e encontrar suporte para uma nova masculinidade não tóxica. Um caminho para a masculinidade saudável.

Muito legal ver que os grupos acolhem homens de todas as idades, etinias, opção sexual, sem qualquer preconceito.

É interessante ver como os próprios homens reconhecem que todo esse movimento é resultado das mudanças geradas através do movimento de liberação feminina.

Há inúmeros depoimentos de transformações profundas através dessa tomada de consciência mudando trajetórias profissionais, melhorando os relacionamentos, ajudando a sair de vícios, entre outras coisas. 

É importante destacar o trabalho de uma promotora pública, que através dos grupos voltados para homens causadores de violência doméstica, reduziu o número de reincidência de atos violentos 65% para apenas 2%!

Em uma escola, uma professora criou um grupo de apoio só para rapazes que teve um resultado incrível. Você verá no filme...

Estamos numa época de transição, precisamos encontrar o caminho do cuidado amoroso com a vida e com o planeta se quisermos sobreviver como espécie. 

Ao ver este filme me enchi de esperança! Assista e incentive todos os homens importantes da sua vida a assistir também!

Recomendadíssimo!




18 de ago. de 2019

Filme - A Intrometida


Confesso que comecei a assistir sem esperar muito deste filme e me surpreendeu! Tem um clima sessão da tarde, roteiro interessante e soluções bem criativas.

Susan Sarandon está excelente no papel de Mamie, uma mulher que passou a vida dedicada à família. Mas a filha cresceu e foi morar do outro lado do país. Um tempo depois o marido de Mamie faleceu. 

Ela recebeu um polpudo seguro de vida. Mas não sabe o que fazer com sua vida. Continua sendo uma pessoa alegre e curiosa, mas está meio perdida...Então ela decide ir morar bem pertinho da filha, para "cuidar dela". 

Ao chegar lá descobre que a filha está saindo de um casamento, com dificuldade para virar a página. Deseja um tempo para si. Mas a mãe quer atenção, não pára de mandar mensagens, de chamar para sair e até entra na sua casa sem avisar!

É confusão na certa, não é? Então a filha dá um basta e se afasta. Nesse momento Mamie começa a ter de interagir com outras pessoas, buscar novos interesses, um sentido para sua vida. 

Ela vai experimentando várias possibilidades...inclusive terapia. E a terapeuta tem um papel importante nessa nova jornada. Os diálogos delas nas sessões são ótimos.

Nesse caminho ela encontra pessoas interessantes, que desejam e precisam de sua presença sempre carinhosa e atenta. Constrói uma rede de relacionamentos significativos, que traz uma nova cor para sua vida. 

Mas claro que ela se mete em algumas confusões engraçadas...E acaba encontrando o amor onde menos esperava.

Com menos pressão e exigências com a filha, dá espaço para que ela encontre seu caminho de cura para poder virar a página do relacionamento que acabou e seguir adiante. 

O filme aborda também a importância de fechar ciclos, de fazer os lutos necessários para que o novo possa surgir. 

É muito bom ver uma mulher que foi educada para servir (e que se sentia feliz com isso) descobrir que pode ir além do seu mundinho, que pode desejar novas experiências, aprender novas habilidades, construir amizades e dar um significado muito maior à sua vida, mesmo em uma idade mais avançada. 

Uma delícia de filme, tem no Netflix.

Recomendo!



14 de jul. de 2019

Filme - A Esposa

A Esposa

Este filme já estava na minha lista, mas acabou passando à frente depois que vi o post da querida Betty Gaeta. Aí a curiosidade aumentou....

Que roteiro intrigante. Tem uma profundidade psicológica incrível! Riquíssimo...

E os atores? Maravilhosos! A Glenn Close foi indicada para o Oscar por este filme  e merecia ter levado o prêmio...Um show de atuação. Apenas piscar diferente, um balanço de cabeça, uma respiração mais profunda e ela muda totalmente...que atriz! 

E o Jonatham Price, soberbo! Que dupla...

Um escritor recebe a notícia de que foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, ele tem uma família linda, uma esposa super dedicada, uma filha casada que está esperando o primeiro netinho e um filho que deseja seguir a carreira do pai. Que família perfeita! 

Só que surge uma nuvem nos olhos da esposa, algo muito sutil, que aparece quando chegam à Estocolmo e começam os preparativos para a grande noite. Um mistério paira no ar. 

À medida que o filme avança, ela começa a se lembrar de cenas do passado, de quando era aluna do mestrado em literatura e ele era seu professor. Dos contos brilhantes que ela escrevia, da carreira promissora que tinha...parece que há um ressentimento por ter abandonado tudo para ser esposa de um grande escritor.

Um homem narcísico que precisa ser o centro das atenções o tempo todo e exige muito...

Numa das cenas de quando era jovem, ela sente que ser escritora era um chamado do fundo de sua alma, se não pudesse escrever, seria como morrer. Mas era 1958 e as editoras não tinham interesse em publicar livros de mulheres, os editores diziam que ninguém queria saber o que uma mulher pensa...dá prá acreditar?

Mas os tempos mudam, ela poderia ter retomado sua carreira, não é? Quando um chamado é tão forte...

Mas nada é o que parece. Vão surgindo personagens e fatos que trazem à tona um segredo muito bem guardado, que só se revela nas últimas cenas do filme. 

Fantástico! Nenhum detalhe é gratuito, cada fala, cada cena, são pistas do que se passa no íntimo dos personagens. 

Preste atenção na cena final, em que ela abre um caderno e alisa a folha em branco e a sua expressão facial....Como ela diz tudo, sem dizer nada!

Um filme que fala das dificuldades que as mulheres enfrentaram e ainda enfrentam para serem reconhecidas. Fala também dos contratos sutis que fazemos nos relacionamentos, mas é preciso assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas, e como isso pode ser difícil. 

Uma obra de arte, um filme que nos instiga e nos prende até o último minuto. 

Recomendo!





17 de jun. de 2019

Filme - A Arte de Amar

A Arte de Amar
A História de Michalina Wislocka

Este é um filme fantástico, que tenho indicado bastante nos grupos de estudos e nos círculos de mulheres. 

A Dra. Michalina Wislocka ousou defender o prazer sexual feminino em plena ditadura na Polônia na década de 60. Ela usava muita criatividade e humor para driblar a censura...e conseguia! 

A história começa quando ela era bem jovem e viveu um casamento onde não encontrava prazer sexual. Acreditava que era frígida. A situação foi se complicando com mil reviravoltas...e culminou com a separação.

À partir daí começa uma jornada de descobertas: de si mesma, de sua vocação profissional, de seu corpo, do amor e do prazer! Quando ela descobre o prazer sexual,  decide que as mulheres não podem viver sem experimentar o orgasmo e dedica sua vida a isso.

Como acontece com todos os seres humanos, ela errou e acertou; experimentou alegrias e tristezas, mas nunca perdeu o bom humor e alegria de viver!

Ela viveu mais de 90 anos e tornou-se um ícone no movimento pela liberdade sexual e reprodutiva das mulheres. Escreveu um livro de orientação sexual para mulheres que é editado ainda hoje.

Uma das coisas que chamam a atenção é como ela conseguiu ser livre dentro de um sistema tão opressor.

Irreverente como ela era, usava recursos nada convencionais,  o que rende cenas surpreendentes e engraçadas. 

Um filme inspirador sobre uma pessoa extraordinária. Nos créditos finais é possível ver algumas cenas com a verdadeira Dra. Michalina já idosa.

Está no Netflix.

Para despertar a Afrodite interior...
Recomendo a todas!






11 de fev. de 2019

Filme - Sexy Por Acidente



Lá estava eu no avião, viagem longa, exausta, mas sem conseguir pregar os olhos...E uma jovem, sentada ao meu lado começou a assistir esse filme. 

Pensei: Filme para adolescentes...E tentei dormir. De vez em quando eu abria os olhos e via alguma cena e mesmo sem ouvir os diálogos, as imagens falavam por si mesmas. Percebi que o filme poderia ser interessante, ele foi para a lista.

Demorou para ter tempo de assistir a um filme, mas quando consegui, acabei escolhendo este. Que boa surpresa!

É uma comédia, com uma mensagem incrível para nós mulheres que vivemos numa sociedade escrava do corpo perfeito e da beleza ideal. 

A Amy Schumer está impagável no papel de uma jovem que está fora dos padrões de beleza da moda e tem uma profunda baixa de auto-estima. Ela ama maquiagem e sonha em trabalhar para a sua marca de cosméticos preferida. 

Mas ao conseguir o emprego, foi colocada num escritório no subsolo do prédio para não ser vista, porque sua aparência estava fora do padrão da empresa. 

Ela decidiu entrar para academia, fazer dieta e etc...mas foi com muita sede ao pote e acabou sofrendo um acidente durante a aula de spinning, bateu a cabeça e ficou desacordada. Quando acordou, parecia que nada tinha acontecido, mas quando ela olha no espelho, se vê simplesmente deslumbrante! 

Ao se ver linda, ela adquire confiança em si mesma e passa a encantar as pessoas...E isso muda tudo! Só que nada mudou...apenas seu olhar. 

Daí em diante seguem-se surpresas e cenas muito engraçadas. Depois de várias reviravoltas na história, o filme termina com um final inteligente e uma bela mensagem.

É bem interessante ver como a nossa cultura coloca as mulheres sempre no lugar da falta. Isso fica claro nas conversas dela com modelos e mulheres consideradas lindas pelos padrões vigentes que se sentem inseguras com sua aparência. Ela fica chocada, porque pensava que mulheres tão bonitas como aquelas estariam satisfeitas consigo mesmas.

É bem gostoso de assistir, engraçado e inteligente! 

Recomendo a todas e especialmente ao Grupo Feminilidade Consciente e às Lobas.

Fácil de achar, tem no Google Play dublado e legendado. 



10 de out. de 2018

Filme - Our Brand is Crisis - Profissionais da Crise

 Our Brand is Crisis
2015

Filme sensacional! 
Sandra Bullock e Billy Bob Thornton estão fantásticos em seus papéis. O filme nos prende do começo ao fim, roteiro inteligente com humor refinado e muitas surpresas!
Uma famosa coordenadora de campanhas eleitorais é contratada por um candidato a presidente nas eleições da Bolívia que está mal colocado nas pesquisas.

Ela pensa em desistir e voltar aos Estados Unidos, mas descobre que o coordenador da campanha do primeiro colocado nas pesquisas é um rival com quem tem uma história antiga...
Então começa o jogo! 


O filme mostra os bastidores de uma campanha, como se fabricam marcas (candidatos) para vender aos eleitores. Todas as manipulações, artimanhas e trapaças para conseguir a vitória.
A guerra que se instala entre ela e o rival tem momentos bem engraçados...


Durante a corrida eleitoral surgem situações que a fazem questionar tudo isso, mas está presa numa roda viva; e agora? 
Preste atenção nas primeiras cenas do filme para ligar com o final, que é surpreendente!
Traz muitos insights sobre como as mulheres podem ficar imersas no patriarcado e as saídas possíveis, usando todas as suas habilidades e coragem.
Recomendo!!! 

No Youtube e Google Play, versões dublada e legendada.

25 de jun. de 2018

Filme - The Mask You Live In

The Mask You Live In

Demorei para ver este documentário, mas depois pensei: por que não vi antes? O título em português seria algo como "A Máscara com que você vive".
O movimento feminista vem ganhando impulso e fala-se muito de como o machismo e o sistema patriarcal oprimem as mulheres, mas alguém já parou para pensar que quem educa os meninos somos nós?
Este filme fala da dificuldade que os meninos enfrentam em nossa sociedade, que criou  um estereótipo de masculinidade. 
Eles crescem ouvindo que falar de seus sentimentos ou buscar a cooperação ao invés da competição,  "não são coisas de homem". Que para ser homem devem focar na força física, sucesso financeiro e desempenho sexual. 
Quando não se enquadram neste modelo, a enorme pressão social e o bullying que sofrem podem tornar-se insuportáveis. Talvez isso explique o aumento da taxa de suicídio entre meninos, que pode chegar a ser 7 vezes maior do que entre as meninas, dependendo da faixa etária. 
Além de informações importantes sobre as diferenças entre o comportamento masculino natural e o imposto, são apresentadas várias iniciativas em escolas e ONGs para mostrar aos meninos e rapazes uma outra maneira de ver a vida, grupos onde podem expressar seus sentimentos sem julgamento, onde podem ser acolhidos, e a diferença que isso faz em seu desenvolvimento.
Na sociedade patriarcal tanto o feminino quanto o masculino são feridos, é preciso cuidar e valorizar os dois. 
Um tema importantíssimo e atual. Vamos refletir sobre como estamos agindo com os meninos...
Recomendo a todas e especialmente às professoras, às mães de meninos e terapeutas!

Tem no Youtube e Netflix.




12 de fev. de 2018

Filme - Com Amor, Van Gogh

Com Amor, Van Gogh
Reino Unido, Polônia
2017

Começando as novas postagens com um tributo à beleza, para louvar as Musas e receber inspiração.

Imagine uma experiência poética tão bela que faz você sair do cinema em estado de graça....

Totalmente artesanal, sem computação gráfica, o filme feito com atores incríveis e nas locações históricas, foi inteiro pintado à mão no estilo de Van Gogh.

Você se sente imersa na tela, como se estivesse dentro das obras dele. Deslumbrante!

Um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, Armand Roulin encontra uma carta por ele enviada ao irmão Theo, que jamais chegou ao seu destino. 

Após conversar com o pai, um carteiro que era amigo pessoal de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. 

Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.

Armand também está num momento difícil, meio perdido, sem saber que direção dar à sua vida. Através dessa jornada vai descobrindo a profundidade da alma do pintor  e encontra a si mesmo.

Uma obra de arte digna do Grande Mestre, uma verdadeira declaração de amor. 

Veja o trailer (em tela cheia!) e se encante:



Nunca vi nada igual...
Assista!


20 de nov. de 2017

Filme - A Vida Secreta das Abelhas


   Este filme é lindo,  tocante e com uma redenção final magnífica! É um filme independente, premiado no Festival de Sundance.
   Foi indicado para complementar o trabalho do Capítulo 14 do Livro Mulheres que Correm com os Lobos: A Selva Subterrânea, por isso trago novamente esta postagem.
     Ele é especial por abordar de forma profunda e  poética a questão do resgate do feminino através do encontro com o sagrado. 
    Ambientado no sul dos EUA na década de 60,  numa região apegada a tradições rígidas onde as mulheres e os negros sofriam intensa discriminação e violência. 
    Lilly (excelente interpretação de Dakota Fanning) é uma garota  que sofre com os maus tratos do pai. Ela ainda sente a ausência da mãe, morta num trágico acidente, do qual ela carrega muita culpa.
   Até que um dia Lilly foge com sua empregada Rosalyn e vai parar na fazenda de August (Queen Latifah, ótima nesse papel), uma apicultora bem sucedida, que produz o melhor mel de toda a região. Ela é acolhida por August e suas irmãs.
   August ensina  a Lilly tudo sobre a vida secreta das abelhas,  que nesse processo vai resgatando e cuidando das feridas do seu passado, descobrindo uma nova forma de viver, em conexão com a natureza  e o feminino sagrado.
   Além disso, há vários personagens interessantes cujas histórias vão se entrelaçando e enriquecendo ainda mais a trama, que nos faz experimentar muitas emoções.
     O filme toca também na questão da reparação de um mal. O passado não volta, não pode ser mudado. O que podemos fazer é mudar nosso olhar e nossos sentimentos em relação a ele. Nem tudo pode ser reparado, consertado, mas é possível realizar essa reparação internamente, através do perdão e do cuidado amoroso.
    A seqüência final é magnífica, daquelas em que voltamos o DVD várias vezes para rever. 
    O livro que deu origem ao filme é maravilhoso também.
    Permite muitas amplificações simbólicas, ao final temos a sensação de que algo dentro de nós curou-se também. 
    Recomendo a todas!


     

16 de out. de 2017

Filme - Colcha de Retalhos


Colcha de Retalhos
(How to Make an American Quilt)
Dir: Jocelyn Moorhouse
USA - 1995


Este foi o filme indicado para complementar o trabalho do Capítulo 13 do Livro Mulheres que Correm com os Lobos: O Clã das Cicatrizes. Por isso trago novamente esta postagem.

Vamos viver a história de Finn (Winona Ryder), uma jovem que precisa terminar sua tese de mestrado, mas está com um certo bloqueio para escrever. Ela também recebeu uma proposta de casamento e está noiva, mas está em dúvida se deve se casar ou não.

Ela se pergunta: Como viver essa coisa chamada casal e ter espaço para si mesma?

No meio desse turbilhão ela decide ir para o interior, passar o verão na casa da avó e da tia, onde acredita que terá paz para escrever e pensar…

Só que lá ela conhece Leon, um jovem muito sedutor, que a deixa ainda mais dividida!

Encontra o grupo de amigas de sua avó, que se reúne regularmente para fazer quilt (a mão!). Cada trabalho deve ter um tema, contar uma história.

Elas ficam sabendo que Finn está noiva e decidem que seu próximo projeto será uma colcha, como presente de casamento. O tema será: Onde  vive o Amor?

A medida que ela convive com essas mulheres fortes e especiais, algo dentro dela se transforma…ela passa a ouvir seus instintos e  a ter coragem para manter suas escolhas.

Ao mesmo tempo, ao recontar suas histórias através da colcha, as mulheres passam a encarar suas vidas de forma diferente.

Talvez muitas já tenham assistido, mas este é aquele tipo de filme que a cada vez que vemos nos emocionamos e  temos um novo insight.

Um dos filmes mais lindos que já vi. Inesquecível


Um Olhar Psicológico
Para Quem Deseja Aprofundar a Experiência:
sugiro que assista ao filme primeiro, 
e depois use estes tópicos para reflexão

Fazer um post como este envolve muita pesquisa e trabalho, ficarei feliz se me der um retorno dizendo se este olhar psicológico a ajudou a ter uma experiência mais profunda das mensagens do filme.

Finn, uma mulher jovem e voltada para o mundo das idéias, para o mundo racional, está com dificuldades para dar continuidade ao seu trabalho, busca uma perfeição inatingível, e quando vê que não conseguirá alcançá-la, troca o tema da tese. 

Trocou de tema três vezes, e agora irá falar sobre trabalhos manuais realizados por mulheres de diversas culturas. Não é por acaso que decidiu ir para a casa da avó, pois cresceu vendo aquelas mulheres fazendo quilt (uma tradição americana).

Ao voltar para a casa onde passou grande parte da sua infância, busca se reconectar com os sentimentos e suas raízes.

Existe também a questão das escolhas: para escolher bem, é necessário saber perder. Pois escolher algo, é abrir mão das outras alternativas, que poderiam ser boas também…

Cada uma das mulheres do filme tem uma história de amor peculiar, todas as formas de amor aparecem: o amor dos amantes, de mãe e filha, de irmãs, por um animal de estimação, por uma atividade… cada uma delas representada por um dos quadrados da colcha.

Mas também há mágoas e assuntos  não resolvidos entre elas. E o filme mostra como o perdão pode ser libertador e ressignificar toda uma vida que parecia desperdiçada. E na maioria dos casos, não se trata apenas de perdoar o outro, mas a si mesma.

Ao perdoarmos, uma grande quantidade de energia (que era usada para manter a mágoa) é liberada, podendo ter outros usos criativos. O filme representa esta transformação de forma muito poética, através da força do vento, que  mudou tudo de lugar.

Inclusive, espalhou as folhas da tese para todo lado, o que foi um grande teste para Finn: desistir de novo ou lutar para recuperá-la? A avó tem um papel importante neste momento quando questiona a neta sobre “seu desapego”.

Quando ela escolhe lutar pela tese que já tinha escrito, percebemos que realmente amadureceu, e somente agora poderia encarar uma relação duradoura, que exige muitas reconstruções ao longo da vida.

Muito interessante também o diálogo entre Finn e Constance sobre o que acham mais difícil em ser mulher, como isso muda de acordo com a idade e o momento de vida de cada uma.

Outro detalhe poético é que somente quando a colcha está pronta, ou seja, quando ela recebe a prova concreta do amor daquelas mulheres (que ficaram 72 horas trabalhando sem parar para terminá-la), ela pode ir ao encontro de Sam. E ela o encontra enrolada na colcha, ou seja, ela interiorizou todas aquelas  experiências de vida que lhe foram transmitidas por elas e todas as diferentes formas do amor.

Preste atenção ao papel do corvo, que é fundamental. Uma bela metáfora para a ligação com os sentimentos e com os instintos. O pássaro conduz a mulher para o amor da sua vida, mostrando que quando ela deixa a racionalidade um pouco de lado e ouve seu coração, terá mais segurança de suas escolhas e coragem para mantê-las.

São sete mulheres trabalhando na colcha que será ofertada para a oitava mulher (Finn). O  número sete tem um significado especial: um ciclo que se completa (uma semana), um trabalho realizado (sete dias da criação). O número oito aponta para a transcendência: do ordinário para o extraordinário, do cotidiano para o sagrado. 

E todas as mulheres, ao final do filme, transcenderam seu estado de consciência inicial, ampliando a rede de significados de suas vidas.

Atente para a maravilhosa cena final: o mergulho de Sofia (cuja amargura a havia afastado de sua paixão: o salto ornamental). Uma bela metáfora para a força do perdão,   que nos liberta do passado e nos liga ao amor e o momento presente.

O nome desta personagem, Sofia (Sabedoria em grego) não é por acaso, pois somente quando transformamos nossas aflições em sabedoria é que podemos  "mergulhar” na vida, com toda sua beleza e intensidade. 


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