Honrar os Ancestrais e Nossa Jornada


Nossos ancestrais não nos pedem para passar adiante derrota e exaustão.

Nem marchar com seus fardos em nossas costas doloridas.

Eles apenas nos mostram como usar sua experiência e sabedoria 
para sermos mais livres.

Reverencio a respeito a forma como enfrentaram seu destino.

Recebo a vida com gratidão, com tudo que custou a vocês 
e com o que custa para mim.

Eu os deixo em Paz, que estejam na Luz.

Aqui fico para realizar coisas boas e belas, 
que tragam felicidade a mim e a todos ao meu redor.

Assim honrarei minha linhagem.




"Curar-se" - Um Gostinho dos Nossos Encontros!



Sabia que a palavra Curar, além de significar recuperar a saúde também significa secar ou defumar um alimento? (curar um queijo, por exemplo). Isso mostra que a  cura é um processo, e tem relação com o tempo e o amadurecimento pessoal.

A palavra inglesa heal (curar) deriva do termo anglo-saxão hal, que significava “todo”, mas também “saudável” e “sagrado”. Isto já nos dá uma idéia da relação entre saúde e totalidade.

Se corpo, mente e espírito estiverem dissociados, não é possível haver cura completa.

É como diz uma médica oncologista que admiro muito: “ A doença é um grito que a vida dá para avisar que estamos indo pelo caminho errado. A intensidade do grito será proporcional  ao grau de surdez da pessoa." 

Enquanto ficarmos “brigando com a vida”, nada acontece. Somente quando ocorre aceitação pode haver transformação.

A Cura pode ser vista também como um processo iniciático, pois no final não somos mais as mesmas, fomos transformadas, e invariavelmente descobrimos em nós uma força que desconhecíamos.

Então, curar-se é voltar a ligar-se com a alma. Na essência da cura há amor e compaixão. 

Como disse Sakyamuni Buda: “Da doença surge a mente que busca O Caminho.”

Pense nisso…e cuide do que precisa ser Curado em sua vida com delicadeza e amor.

Foi um encontro delicioso, onde pudemos expandir as possibilidades de expressão através da Aquarela e mergulhamos nos significados profundos do processo de cura.
 
Terminamos assim o capítulo 7 - O Vício da Perfeição, no qual Marion Woodman transmite as bases do seu trabalho em teoria e prática.

Gratidão a este grupo tão especial!

❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️



O Que Acontece Quando Nos Desconectamos de Nosso Corpo?

Pintura corporal do artista John Poppleton

Uma das queixas mais comuns nos consultórios hoje em dia é sobre não aceitar seu próprio corpo. A propaganda excessiva de corpos esculturais e jovens gera um desconforto na maioria das mulheres.

No momento em que começamos a nos julgar e a nos comparar, caímos numa armadilha e não estamos mais presentes em nosso corpo. Quais são as consequências disso?

John Poppleton

1 - Nos desconectamos da nossa sabedoria interna
Como podemos ouvir nosso interior se estamos diariamente nos criticando, dizendo como nosso corpo está errado?
Como nos conectar com  as sensações do nosso útero se estivermos usando uma cinta tão apertada que nem podemos respirar?

2 - Criamos uma competição nociva
Quando julgamos nosso corpo com base em padrões nós perdemos a habilidade de honrar a beleza de cada expressão única do feminino.
Assim como nos julgamos, começamos a buscar "defeitos" em outras mulheres para que nos sintamos melhor. Isso prejudica os relacionamentos com outras mulheres e com o feminino em nós.

3 - Limitamos nosso senso estético
Julgando a nós mesmas e às outras mulheres unicamente com base na aparência e adequação a padrões, limitamos nossa experiência de beleza, que é multidimensional.
Desta forma estamos ignorando que a beleza externa e a interna devem andar juntas.

4 - Perdemos nosso saudável senso de limite
Quando objetivamos nossos corpos, perdemos a confiança em nós mesmas e isso prejudica nossa intuição.
Quando uma pessoa tem uma atitude invasiva, geralmente sentimos um desconforto físico, talvez uma tensão no abdome ou outra sensação física, avisando que algo está errado e nos permite estabelecer limites.
Se não estivermos presentes em nossos corpos, não iremos registrar esses sinais e podemos ser invadidas, ou nos colocarmos em situações de risco, ou ficarmos em relacionamentos abusivos.

Você imaginava que o relacionamento com nosso corpo teria tantas consequências?

John Poppleton

Sinta seu corpo agora, respire profundamente, perceba seu coração batendo lealmente, suas células trabalhando pelo seu bem estar. Mesmo que esteja doente, seu corpo está fazendo o melhor que pode para se curar.

Ele muda de acordo com as estações do ano e os ciclos da lua...

Sinta o milagre que você é, agradeça e nutra-se com amor.




Ampliando a Beleza dos Relacionamentos


O que vemos quando olhamos para nossos entes queridos?

Começamos a enxergá-los de um jeito e,  em pouco tempo, não desconfiamos que essa pessoa seja muito mais do que nos parece,  de que  ela encarne diferentes risadas, olhares, gestos.     

A cegueira se evidencia quando a flagramos em outro mundo, seja encontrando um amigo de infância ou fazendo algo inusitado. É como se fosse outra pessoa!

Nunca abraçamos alguém por inteiro - e nem deveríamos tentar.

Seu/sua companheiro/a nunca foi nem nunca será apenas seu companheiro: é uma pessoa que vive com você. Conectar-se com essa pessoa livre, não apenas com suas identidades, é o melhor jeito de aprofundar a relação.

Conhecer o outro muitas vezes significa congelar o outro. Para conhecer alguém é preciso desconhecê-lo, relacionar-se com o espaço onde surgem suas faces e histórias. Liberar o outro de quem ele é (ou de quem pensamos que seja).

Impedimos as pequenas mortes e renascimentos quando silenciosamente, sem saber, exigimos que o outro encarne de novo e de novo o personagem com o qual estamos acostumadas.

Desejamos suspresas ao mesmo tempo que as dificultamos. Ao controlar, tentamos garantir que a relação dure, que não sejamos abandonadas, que o outro não seja assim tão livre: "Mude, mas somente dentro das mudanças que eu espero."

Conhecer o outro é alimentar sua imprevisibilidade, descobrir não tanto o que a pessoa é ou foi, mas quem não é, quem ainda pode ser.

E isso é lindo...aumenta as possibilidades criativas dos relacionamentos e da vida!

Gustavo Gitti

O Vício da Perfeição e a Imagem Corporal


Quando o Vício da Perfeição se manifesta na imagem corporal a maioria de nós se identifica.

Em nossa cultura o corpo é tratado como objeto, como se a aparência fosse garantia de afeto.

A insatisfação por ser magra ou gorda, muito peito, pouco peito, quadril largo, quadril estreito, cabelos grisalhos, celulite, estrias, rugas... e tantos detalhes aos quais as mulheres dão importância exagerada movimenta um enorme mercado.

Além disso, manter as mulheres insatisfeitas com seus corpos é uma forma de distração e pulverização de nossa energia, que poderia ser melhor utilizada para realização pessoal e atuação no mundo.

O corpo é nosso melhor amigo, mas o tratamos como se fosse o pior inimigo. Se estivermos saudáveis, o corpo terá o tamanho certo para a energia que contém.

O trabalho da alma é descobrir a magnífica consciência de que a matéria está impregnada, de que nosso corpo está repleto e assim manter a energia fluindo em nós.

Se prestarmos atenção na luz em uma roseira, na energia de uma árvore, vamos perceber que essa luz e energia estão em nós, em nosso próprio corpo, vamos entender que nascemos para viver no amor que permeia toda a vida.

Assim cada corpo será de uma beleza sagrada.

E isso nos dá uma força incrível!

Quanto amor, alegria, suavidade, delicadeza, prazer e potência podemos sentir através do corpo?



Como Cuidar Amorosamente de Si Mesma?


Algumas pessoas perguntam: mas afinal, o que é o cuidado amoroso com a existência? Bom, este é um conceito amplo, mas tudo começa do básico, não é?

Então, cuide de você da mesma forma que cuidaria de uma criança pequena: alimente-se de forma saudável, passe algum tempo ao ar livre e tome um pouco de sol, vá cedo para cama.

Permita-se pequenas pausas para descanso, não diga coisas más para si mesma e não se coloque em perigo.

Trate-se com delicadeza.

Aos poucos vamos estendendo este cuidado para outras áreas de nossa vida, e para tudo ao  nosso redor.

Se você conseguir colocar isto em prática já será um bom começo, não é?




Como é Lindo Quando um Homem Realmente Vira Pai


Como é bom quando um homem realmente vira Pai!

Quantos desafios e quantas alegrias...

Belíssimo vídeo com texto e voz de Marcos Piangers (@piangers).



Feliz dia dos Pais!


Maria Madalena - A Mulher do Vaso de Alabastro

Arte: Shiloh Sophia McLoud

Quando o Sol e a Terra se alinhavam com Sírius, a estrela mais brilhante do céu, as sacerdotisas da Irmandade de Ísis realizavam a cerimônia de selamento dos pequenos vasos de alabastro, que continham perfumes e essências alquímicas sagradas e mágicas, produzidas ao longo de muito tempo de dedicação.

O selamento era feito de forma que uma vez quebrado o selo, não poderia mais ser fechado. Portanto, cada sacerdotisa guardava seu precioso frasco para usar em uma ocasião realmente especial ou para uma cura espiritual.

Entre elas estava uma que recebeu o nome de Maria de Magdala.

Maria é um dos títulos honoríficos da Deusa de Ísis. Muitas mulheres recebiam o nome de Maria para honrar a Grande Mãe.

Magdala não é apenas o nome de uma cidade. MAG significa Magia e DALA (relacionado à letra Dalet do alfabeto hebraico significa Porta/Portal e também Torre).

Portanto ela era a Guardiã do Portal da Magia da Grande Deusa. 
Esse Portal é simbolizado pelo ventre feminino e pela sexualidade sagrada.

Na Santa Ceia, ela quebrou o frasco e usou o precioso e raro perfume para untar os pés de Jesus, secando-os com seus cabelos. Esse gesto era um ritual de honra pagão, algo que só era oferecido a reis e Jesus aceitou com amor apesar das críticas de seus discípulos. 

Ela se tornou a principal discípula e herdeira dos ensinamentos do Mestre Jesus, a Guardiã do Santo Graal. Ao longo dos séculos muitos tentaram silenciá-la ou difamá-la. Apesar disso, a energia sagrada do feminino que ela representa persiste e retorna ao mundo. Ela foi canonizada, reconhecida como Santa.

Em 22 de Julho, quando o Sol e a Terra se alinham com Sírius, a estrela mais brilhante do céu,  acontece a transição do signo de Câncer (lunar) para o signo de Leão (solar), a abertura do Portal energético onde se reúnem as energias do feminino e masculino.

Da numerologia, sabemos que 22 é um número perfeito pois é múltiplo de 11 (o número da iluminação espiritual). Duas vezes 11, duas almas iluminadas unidas (Jesus e Maria de Magdala).

Também nesta época temos o Festival Judaico Tu Beav, o dia das almas gêmeas ou o dia do amor segundo a Kabbalah, em 2021 ocorre entre os dias 23 e 24 de julho. É uma data móvel no calendário solar ocidental, pois acontece sempre no dia 15 do mês Av, do calendário judaico que é lunar. Mas sempre próximo desta data.

Não foi por acaso que este dia foi escolhido para a Festa de Santa Maria Madalena! Sempre retratada na arte sacra como a mulher do vaso de alabastro... 

Há muitos portais energéticos neste período até o início de agosto, quando acontecem os festivais da Roda do Ano nas culturas ancestrais. 

Vamos celebrar e honrar esta energia maravilhosa, delicada e poderosa ao mesmo tempo, e seguir o caminho do cuidado amoroso com a existência.

Linda história, não é? 



Às Vezes Um Deus Selvagem...


Às vezes um deus selvagem chega à mesa.
Ele é estranho e não conhece as artes da porcelana,
Dos talheres, da mostarda e da prata.
Sua voz transforma o vinho em vinagre.

Quando o deus selvagem chegar à porta,
Você provavelmente vai temê-lo.
Ele lembra algo escuro
Com que você talvez tenha sonhado,
Ou o segredo que você não quer compartilhar.

Ele não toca a campainha;
Em vez disso, raspa a porta com os dedos,
Manchando a tinta de sangue,
Embora as prímulas cresçam em círculos ao redor de seus pés.

Você não quer deixá-lo entrar.
Você está muito ocupado.
É tarde, ou cedo, e, além disso,
Você não consegue olhar de frente para ele
Porque ele o faz querer chorar.

Seu cachorro late; 
O deus selvagem sorri.
Estende a mão,
E o cão lambe suas feridas.
Depois o leva para dentro.

O deus selvagem está de pé em sua cozinha.
A hera tomou conta de seu aparador,
O visco se instalou nos abajures, 
E as carriças começaram a cantar
Uma canção antiga no bico de sua chaleira.

“Não tenho muito”, você diz, 
E lhe dá o que há de pior em sua comida.
Ele se senta à mesa, sangrando, 
Tosse raposas.
Há lontras em seus olhos.

Quando sua esposa chama lá de cima,
Você fecha a porta 
E diz que está tudo bem.
Você não vai deixar que ela veja
O estranho hóspede à sua mesa.

O deus selvagem pede whiskey
E você lhe serve um copo,
Depois serve outro para si mesmo.
Três cobras começam a fazer ninho
Em sua laringe. Você tosse.

Ó, espaço infinito!
Ó, mistério eterno!
Ó, infindáveis ciclos de morte e nascimento!
Ó, milagre da vida!
Ó, assombrosa dança disso tudo!

Você tosse novamente,
Cospe as cobras
E dilui o whiskey, 
Enquanto se pergunta como envelheceu tanto
E onde foi sua paixão.

O deus selvagem enfia a mão numa bolsa
Feita de pele de toupeira e rouxinol.
Tira dela uma flauta de bambus,
Ergue uma sobrancelha
E todos os pássaros começam a cantar.

A raposa pula para dentro de seus olhos.
As lontras correm da escuridão.
As cobras se espalham por seu corpo.
Seu cachorro uiva e, no andar de cima,
Sua mulher se alegra e chora ao mesmo tempo.

O deus selvagem dança com seu cachorro.
Você dança com os pardais.
Um veado branco puxa um banco
E muge, entoando hinos para encantamentos.
Um pelicano pula de cadeira em cadeira.

À distância, guerreiros pulam de seus túmulos; 
O ouro antigo cresce como grama nos campos.
Todos sonham com as letras de canções há muito esquecidas.
As colinas ecoam e as pedras cinzentas soam
Com risadas, loucura e dor.

No meio da dança,
A casa se eleva do chão.
As nuvens entram pelas janelas;
O raio atinge a mesa com força
E a lua se inclina para dentro.

O deus selvagem aponta em sua direção.
Você sangra muito.
Você sangra há muito tempo,
Talvez desde que nasceu.
Há um urso na ferida.

“Por que você me deixou morrer?”
Pergunta o deus selvagem e você diz,
“Eu estava ocupado sobrevivendo.
As lojas estavam todas fechadas;
Eu não sabia como. Sinto muito.”

Escute-os:
A raposa em seu pescoço 
E as cobras em seus braços,
A carriça e o pardal
E o veado ...
As grandes bestas inomináveis
Em seu fígado e seus rins e seu coração ...

Há uma sinfonia de uivos.
Uma cacofonia de conflitos.
O deus selvagem balança sua cabeça e
Você acorda no chão
Segurando uma faca,
Uma garrafa e um punhado de pelo preto na mão.

Seu cachorro dorme na mesa.
Sua esposa se agita lá em cima.
Lágrimas lhe correm pela face;
Sua boca dói de rir e gritar.
Um urso negro está sentado junto ao fogo.

Às vezes um deus selvagem chega à mesa.
Ele é estranho e não conhece as artes da porcelana,
Dos talheres, da mostarda e da prata.
Sua voz transforma o vinho em vinagre
E ele traz os mortos de volta à vida.

Autor: Tom Hirons
Tradução: Lourdinha Heredia


Harmonize-se com o Inverno


E chegou o Solstício de Inverno!

Foi a noite mais longa do ano, contendo em si a semente da luz -  que começa a aumentar juntamente com a duração do dia - até chegarmos ao equinócio da primavera, quando o dia e a noite terão a mesma duração.

Na antiguidade esta data era extremamente importante, marcando o Renascimento do Sol e a Regeneração da Terra. Havia muitas festas e danças ao redor do fogo, e o costume de pular a fogueira, que consideravam uma forma de purificação. Os solteiros que pulassem a fogueira acreditavam que encontrariam seu amor.

Estes costumes sofreram várias mudanças ao longo do tempo. No Brasil temos as festas juninas, uma lembrança desta época. Não é à toa que se canta: “Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô..."


Com relação à saúde: as temperaturas mais frias são propícias para exercícios  vigorosos que ativam a circulação do sangue e aquecem o corpo. Também é preciso cuidar dos rins, o órgão chave desta estação, tomando muitos líquidos como sopas, caldos, chás…


Use  e abuse do gengibre nos chás e sopas, ele desintoxica o fígado e tonifica os rins, aumentando o fluxo da energia vital. O cravo e a canela, o mel e o limão também são bem vindos, ajudam a esquentar e a combater infecções.

O Inverno é o tempo do conforto, da boa comida, do aquecimento, do toque da mão amiga, da conversa ao pé da lareira: é o tempo do lar.


Do ponto de vista espiritual é uma época de regeneração, purificação e recolhimento. Quando refletimos sobre nosso caminho e fazemos as correções necessárias na trajetória para seguirmos na direção correta. O momento de vislumbrar o futuro, meditando e confiando nas orientações da nossa voz interior. É a incubação.

“A consciência de uma planta no meio do inverno não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a primavera virá, por que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queríamos?”

Khalil Gibran


Limpe a Luz! Vídeo Encantador..



Inspiradora experiência da Dra. Bertice Berry, que faz lembrar a frase da Clarissa, no Livro Mulheres que Correm com os Lobos: 

"Não deixe sua lamparina debaixo da mesa!"

Lindo demais...

Legendado em português. 






Casa Para Uma Mulher Arquivelha

 

Quando criança
Sentia-me ao mesmo tempo
Uma menina solitária,
franzina

E uma velha muito sábia,
Muito digna,
Que conhecia coisas humanas e divinas.

Nessa casa,
Cheia de quartos e quinas,
Viverá esta velha,
Arquivelha que sou eu.

Será uma casa silenciosa
Onde realizarei trabalhos simples
Como acender lampiões
no fim da tarde.

Será uma casa quase casulo,
Onde aceitarei as condições da existência,
Tecerei fios de seda
Em direção ao infinito.

Será uma casa resistente
Capaz de suportar blocos gigantes
Que desabem
Em avalanche
Sobre o teto.

Nessa casa
Serei cada vez mais antiga,
Prudente,
Erudita,
Fiel ao espírito que me agita
E ao qual cedi a palavra.

Nessa casa
Nada perturbará a alma de meus ancestrais,
A atmosfera de prece:
Vida que se cumpre
E desaparece.

Raquel Naveira
In: "Casa e Castelo". São Paulo: Escrituras, 2002. p.51,52.


Essa poesia me toca tão profundamente.
Sinto como se ela falasse de mim. 

Para superar adversidades que enfrentei desde cedo, 
precisei ser menina e velha ao mesmo tempo. 

Na verdade, acho que nasci arquivelha e agora estou rejuvenescendo...







As Mil Faces do Materno. Feliz Dia das Mães!


Embora gerar e criar um outro ser seja uma experiência incrivelmente transformadora, do ponto de vista psicológico, a função materna transcende este fato.

Envolve os gestos de acolher, gestar, dar à luz, nutrir, cuidar, proteger, orientar... e isso pode ser feito de muitas maneiras.

Ao longo da vida, encontramos vários tipos de mãe:

as que criam seus filhos com amor e dedicação,  
as que são mães de idéias que transformam vidas, 
que gestam e criam projetos que beneficiam a muitos, 
as que dão à luz novos conceitos e paradigmas, 
que lutam por um mundo melhor,
as que nutrem corpos e almas,
que cuidam do que é de todos,
 que preservam valores humanos num mundo em transição, 
as que protegem a nossa mãe natureza,
as que nos acolhem e nos orientam em nosso caminho. 

A todas vocês minha sincera homenagem e minha gratidão.

Feliz Dia das Mães!